Tensão no Oriente Médio e discurso do Fed travam rali do Ibovespa

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro8 horas atrás10 Visualizações

O investidor que saiu animado com o IPCA mais fraco da última sexta-feira encontrou, já na abertura desta segunda-feira (13), um cenário bem diferente. O Ibovespa recuou 1,2%, aos 175.739 pontos, interrompendo a tentativa de retomar as máximas históricas que havia sido sinalizada no pregão anterior. O gatilho da virada veio de fora: a escalada da guerra no Oriente Médio e um discurso duro de um dirigente do Federal Reserve (Fed) reacenderam o apetite global por proteção.

O que mudou de sexta para segunda-feira

  • Conflito no Estreito de Ormuz: após novos ataques, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou o restabelecimento de um bloqueio naval contra o Irã.
  • Petróleo dispara: o Brent saltou 9,6%, superando US$ 83, enquanto o WTI avançou 9,3%, para US$ 78. A commodity é sensível a riscos de oferta na região.
  • Tom hawkish do Fed: Christopher Waller afirmou que o banco central dos EUA pode voltar a subir juros caso os indicadores de inflação desta semana venham acima do esperado.

Reação imediata dos ativos brasileiros

Mesmo após romper a resistência dos 174.900 pontos — nível visto por analistas como porta de entrada para novas altas — o índice não resistiu ao choque externo. Entre as 78 ações da carteira teórica, 66 fecharam em queda. O volume negociado somou R$ 14,1 bilhões, abaixo da média mensal e anual.

  • Setores ligados ao consumo interno sofreram com a perspectiva de juros mais altos por mais tempo.
  • Papéis da Petrobras, que representam quase 11% do índice, subiram acompanhando a alta do petróleo e evitaram perdas ainda maiores do Ibovespa.

Curva de juros volta a precificar prêmio

A mensagem mais dura do Fed contaminou a curva doméstica. Ao final do dia, contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) ganharam entre 5 e 17 pontos-base:

  • DI jan/27: de 13,905% para 13,955%;
  • DI jan/29: de 14,01% para 14,23%;
  • DI jan/31: de 14,21% para 14,38%.

Vencimentos curtos refletem expectativas para a Selic, enquanto os mais longos captam dúvidas sobre o cenário fiscal brasileiro e a economia global.

Dólar deixa de cair

A busca internacional por ativos considerados seguros se traduziu em demanda por moeda norte-americana. O dólar comercial subiu 0,45%, para R$ 5,1315. Apesar da alta, a divisa ainda acumula queda de 0,6% no mês e de 6,5% no ano.

Por que isso importa para o investidor iniciante

  • Volatilidade é parte do jogo: fatores como geopolítica ou declarações de autoridades monetárias podem anular, em minutos, sinais técnicos otimistas.
  • Petróleo influencia B3: a participação relevante da Petrobras no índice faz com que choques na commodity impactem diretamente o Ibovespa.
  • Juros futuros afetam todas as classes de ativos: altas nos DIs costumam pressionar ações sensíveis ao crédito e a renda fixa pós-fixada costuma reagir primeiro.
  • Diversificação ajuda a suavizar impactos: manter parte da carteira em diferentes setores, prazos e moedas reduz a dependência de um único vetor de risco.

O episódio reforça que, mesmo em períodos de aparente calmaria local, o investidor brasileiro continua exposto a movimentos globais capazes de alterar rapidamente preços de ações, câmbio e títulos públicos.

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