Erro em reconhecimento facial cresce entre idosos e acende alerta de segurança para bancos e fintechs

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro10 minutos atrás12 Visualizações

A transformação digital dos serviços financeiros ganhou velocidade nos últimos anos, mas nem todos os usuários avançam no mesmo ritmo. Dados do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (Nist) mostram que a taxa de erro dos sistemas de reconhecimento facial sobe de cerca de 1% em pessoas na casa dos 20 anos para até 5% em quem tem 70 anos ou mais. O salto coloca a população idosa em desvantagem num momento em que bancos, fintechs e o próprio governo ampliam a exigência de biometria para acessar contas, benefícios e investimentos.

Por que o erro aumenta com a idade?

  • Mudança física: o rosto de uma pessoa idosa tende a sofrer alterações mais rápidas, o que confunde algoritmos treinados para identificar padrões estáveis.
  • Base de dados enviesada: muitos modelos foram alimentados majoritariamente com imagens de homens brancos e jovens, reduzindo a precisão para perfis fora desse padrão.
  • Condições de uso: celulares antigos, câmeras de baixa resolução e ambientes mal iluminados são mais comuns entre quem herdou o aparelho de parentes, aumentando a chance de falha.

Impacto econômico e para o investidor

A adoção de biometria facial ganhou força em bancos e corretoras como alternativa a senhas estáticas, consideradas mais vulneráveis a vazamentos. O ganho de eficiência – fechamento de agências, menor custo operacional e mais retenção de clientes no app – é relevante para as margens das instituições, especialmente em ciclos de juros elevados, quando a competição por depósitos e investimento em tecnologia fica mais acirrada.

No entanto, a falha quintuplicada entre idosos traz custos adicionais:

  • Fraudes e estornos: erros falsos-positivos permitem que terceiros tenham acesso a contas, gerando prejuízos financeiros e gastos judiciais.
  • Atendimento presencial: cada bloqueio exige ida a uma agência ou uso de procurador, elevando despesas que os projetos digitais buscavam cortar.
  • Multas regulatórias: falhas de segurança podem resultar em sanções da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Para o pequeno investidor, os transtornos vão da simples impossibilidade de acompanhar aplicações no celular a perdas reais caso um golpista acesse a conta. Em fundos de previdência ou no Tesouro Direto, o bloqueio de login também dificulta resgates emergenciais.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Setor público sob pressão

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já exige prova de vida digital via aplicativo. Quando a biometria falha, o beneficiário precisa nomear procurador ou agendar visita de servidor, etapas burocráticas que podem atrasar o recebimento da aposentadoria. Com o envelhecimento da população e a expansão do cadastro Gov.BR, a ineficiência tende a crescer se o sistema não for ajustado.

O que bancos e fintechs podem fazer

  • Incluir bases de imagens mais diversas no treinamento dos algoritmos.
  • Exibir orientações claras em tela (iluminação, distância e estabilidade da câmera).
  • Oferecer canais alternativos de autenticação, como token físico, senha dinâmica ou atendimento humano.
  • Atualizar periodicamente as fotos de referência para acompanhar mudanças na aparência.

Dicas práticas para o usuário

  • Use locais bem iluminados, de preferência luz natural ou frontal.
  • Mantenha o celular na altura do rosto e firme.
  • Garanta conexão de internet estável; desligue Wi-Fi de baixa qualidade se necessário.
  • Em caso de falha, procure imediatamente o suporte oficial em vez de compartilhar senhas com terceiros.

A digitalização dos serviços financeiros é irreversível, mas os números do Nist mostram que inclusão e segurança precisam caminhar juntas. Para investidores – em especial aqueles que cuidam das finanças de pais e avós – vale redobrar a atenção à autenticação, revisar dados de contato e conhecer os canais presenciais de cada instituição para evitar bloqueios e fraudes.

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