O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo, 3 de maio de 2026, o início de uma operação batizada de Projeto Liberdade, destinada a escoltar navios estrangeiros que permanecem presos no Estreito de Ormuz há mais de dois meses.
Segundo Trump, a manobra começa na manhã de segunda-feira, horário do Oriente Médio, e foi solicitada por “países de todo o mundo” que, de acordo com o mandatário, não estão envolvidos no conflito regional. “Para o bem do Irã, do Oriente Médio e dos Estados Unidos, conduziremos seus navios com segurança para fora dessas vias marítimas restritas”, escreveu em publicação na rede Truth Social.
O presidente afirmou ainda que representantes norte-americanos mantêm “discussões muito positivas” com autoridades iranianas, o que poderia resultar em avanços diplomáticos. Embora classifique a iniciativa como “estritamente humanitária”, Trump advertiu que qualquer tentativa de interferir na escolta “será tratada com firmeza”.
De acordo com o governo dos Estados Unidos, as embarcações sofrem falta de alimentos e outros suprimentos essenciais. A operação pretende liberar “pessoas, empresas e países que não fizeram absolutamente nada de errado”, declarou Trump.
Também neste domingo, a mídia estatal iraniana informou que Teerã recebeu, por meio do Paquistão, uma resposta norte-americana a uma proposta de 14 pontos apresentada pelo Irã. O conteúdo prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, o fim do bloqueio imposto pelos EUA ao país e, em etapa posterior, negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Entre os pontos listados pela imprensa iraniana estão a retirada de forças dos Estados Unidos de áreas próximas ao Irã, o desbloqueio de ativos financeiros congelados, o pagamento de indenizações, o levantamento de sanções e o término de hostilidades em frentes como o Líbano, além de um novo mecanismo de controle para a rota marítima.
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No sábado, 2 de maio, Trump declarou que ainda não examinara o texto enviado a mediadores paquistaneses, mas considerou improvável aceitá-lo “porque os iranianos ainda não pagaram um preço suficientemente alto” pelos atos cometidos “nos últimos 47 anos”, segundo mensagem publicada nas redes sociais.
Há mais de 60 dias, o Irã restringe quase toda a navegação que sai do Golfo Pérsico, exceto embarcações iranianas. Em resposta, os Estados Unidos impuseram, no mês passado, um bloqueio à entrada de navios em portos iranianos.
A interrupção da passagem de navios na região concentra aproximadamente 20% do comércio mundial de petróleo e gás, o que já provocou alta nos preços de combustíveis nos Estados Unidos. Analistas apontam risco político para o Partido Republicano de Trump nas eleições legislativas de meio de mandato marcadas para novembro, caso os valores continuem subindo.
Trump assegurou que “fará o máximo possível” para retirar com segurança navios e tripulações do Estreito de Ormuz, qualificando o esforço como “passo importante para demonstrar boa vontade entre todas as partes envolvidas”.