Tarifa extra de 25% dos EUA sobre 3 mil produtos brasileiros entra em vigor e pressiona exportações

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro7 minutos atrás10 Visualizações

A partir das 1h01 desta quarta-feira (22), todas as mercadorias brasileiras incluídas na lista da Seção 301 passam a pagar um adicional de 25% para entrar nos Estados Unidos. A medida, assinada pelo governo Donald Trump, cobre cerca de 3 mil produtos e pode impactar até US$ 11 bilhões em vendas externas, segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).

O que muda na prática

  • 18% das exportações brasileiras aos EUA ficam sujeitas à nova tarifa.
  • O Brasil passa a ser o segundo país mais tarifado pelos EUA, atrás apenas da China.
  • Mais de 2.100 itens, entre carne, café, petróleo bruto, suco de laranja e peças para aviões, permanecem isentos.

Para quem acompanha o mercado, o impacto direto recai sobre empresas exportadoras de máquinas agrícolas, papel, vestuário e etanol. Como esses segmentos competem em preço, um aumento de 25 p.p. na alíquota pode reduzir margens ou deslocar pedidos para concorrentes de outros países.

Setores na linha de frente

Associações industriais alertam para a perda de competitividade:

  • Máquinas e Equipamentos – Vendas ao mercado norte-americano somaram US$ 3,2 bi no último ano; parte pode migrar para fornecedores asiáticos ou europeus.
  • Calçados – Tradicional destino de 20% da produção para os EUA, o setor teme recuo de volumes e postergação de encomendas.
  • Etanol – A tarifa adicional incide sobre o produto brasileiro, enquanto o etanol norte-americano já enfrenta tarifa regular no Brasil. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar contesta a medida com base em regras da OMC.

Por que Washington decidiu taxar

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) concluiu que o Brasil adota práticas consideradas “injustas” em áreas como:

  • Comércio digital e serviços de pagamento – o Pix teria afetado empresas de cartão de crédito norte-americanas.
  • Propriedade intelectual e tarifas industriais.
  • Desmatamento ilegal, que reduziria custos de produtores rurais brasileiros.

O governo brasileiro nega as acusações. Dados oficiais mostram queda no desmatamento e crescimento da participação de bandeiras de cartão dos EUA mesmo após a popularização do Pix.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Fluxo comercial já vinha em queda

No primeiro semestre, o comércio bilateral recuou 12,8%, somando US$ 36,4 bi, com superávit de US$ 1,5 bi para os EUA. Desde 2025, as tarifas aplicadas em rodadas anteriores contribuíram para uma redução de 8,7% nas exportações de bens industriais brasileiros.

O que o investidor deve acompanhar

  • Câmbio: pressões sobre o superávit comercial costumam afetar o dólar. Uma balança menos favorável pode diminuir oferta de moeda norte-americana no mercado à vista.
  • Balanços de exportadoras: empresas listadas que dependem fortemente dos EUA podem rever projeções de receita.
  • Cadeia de valor: setores como papel e celulose, máquinas e agronegócio podem redirecionar produção a outros mercados, afetando frete, demanda por insumos e, em última instância, empregos.
  • Política monetária: caso o impacto nas exportações reduza o ritmo de entrada de dólares, a taxa de câmbio pode pressionar a inflação, elemento que o Banco Central observa antes de ajustar a Selic.

Enquanto governos tentam retomar negociações, entidades empresariais mantêm esforços para que produtos sensíveis voltem à lista de isentos. O resultado dessas conversas definirá quão duradouros serão os efeitos sobre as vendas externas brasileiras e, por tabela, sobre o humor do investidor local.

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