O avanço acelerado dos juros nos Estados Unidos e na Europa mudou o humor dos investidores brasileiros. Depois de alguns dias apostando em novo alívio na taxa Selic na reunião de setembro, a curva de juros local praticamente eliminou essa possibilidade nesta quinta-feira (23).
O que aconteceu com a Selic na curva
- A Selic está hoje em 14,25% ao ano.
- Na semana passada, as opções de Copom na B3 apontavam 52% de chance de corte em setembro.
- Com a reprecificação desta quinta, o mercado vê apenas 5 pontos-base de redução, sinal de quase “nenhum corte”.
Para a reunião de 5 de agosto, entretanto, a curva ainda indica cerca de 68% de probabilidade de diminuição de 0,25 ponto percentual, segundo cálculos do banco BMG.
Pressão vinda do exterior
Duas frentes explicam a virada de humor:
- Juros americanos: a ferramenta FedWatch mostra mais de 80% de chance de alta nos Fed Funds em setembro. O rendimento do título de 10 anos dos EUA encostou em 4,714%, maior nível desde janeiro de 2025.
- Geopolítica e petróleo: tensões entre EUA e Irã no Oriente Médio levaram o Brent de volta à marca de US$ 100 por barril. Preço de energia mais alto costuma reacender preocupações inflacionárias.
Reação imediata na curva de DI
- DI jan/27 subiu a 14,045% (alta de quase 10 pontos-base).
- DI jan/29 avançou 21 pontos-base, para 14,705%.
- DI jan/36 foi a 14,825%, aumento de 14 pontos-base.
Taxas mais altas na curva significam que o mercado exige prêmio maior para emprestar dinheiro no futuro, refletindo percepção de risco e de inflação maiores.
Por que isso importa para o investidor iniciante
- Renda fixa: Títulos pós-fixados atrelados ao CDI tendem a pagar mais se a Selic ficar alta por mais tempo. Já papéis prefixados ou Tesouro IPCA sofrem oscilações nos preços de mercado quando os juros sobem.
- Bolsa: Juros elevados reduzem o valor presente de ações e podem pressionar setores sensíveis a financiamento, como varejo e construção.
- Dólar: A perspectiva de aperto monetário nos EUA costuma fortalecer a moeda americana, o que pode aumentar a volatilidade cambial por aqui.
Próximos pontos de atenção
- Decisão do Copom em 5 de agosto: mercado ainda precifica chance de corte de 0,25 p.p.
- Reunião do Federal Reserve em 29 de julho: maioria aposta em manutenção, mas toda sinalização sobre setembro será decisiva.
- Evolução do conflito no Oriente Médio e do preço do petróleo.
Para quem acompanha o mercado, o recado é claro: enquanto os rendimentos globais permanecerem em alta e o petróleo pressionar a inflação, o Banco Central brasileiro terá pouco espaço para acelerar o afrouxamento da Selic.