Mercado brasileiro abandona aposta de novo corte da Selic em setembro após salto dos juros no exterior

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções5 horas atrás9 Visualizações

O avanço acelerado dos juros nos Estados Unidos e na Europa mudou o humor dos investidores brasileiros. Depois de alguns dias apostando em novo alívio na taxa Selic na reunião de setembro, a curva de juros local praticamente eliminou essa possibilidade nesta quinta-feira (23).

O que aconteceu com a Selic na curva

  • A Selic está hoje em 14,25% ao ano.
  • Na semana passada, as opções de Copom na B3 apontavam 52% de chance de corte em setembro.
  • Com a reprecificação desta quinta, o mercado vê apenas 5 pontos-base de redução, sinal de quase “nenhum corte”.

Para a reunião de 5 de agosto, entretanto, a curva ainda indica cerca de 68% de probabilidade de diminuição de 0,25 ponto percentual, segundo cálculos do banco BMG.

Pressão vinda do exterior

Duas frentes explicam a virada de humor:

  • Juros americanos: a ferramenta FedWatch mostra mais de 80% de chance de alta nos Fed Funds em setembro. O rendimento do título de 10 anos dos EUA encostou em 4,714%, maior nível desde janeiro de 2025.
  • Geopolítica e petróleo: tensões entre EUA e Irã no Oriente Médio levaram o Brent de volta à marca de US$ 100 por barril. Preço de energia mais alto costuma reacender preocupações inflacionárias.

Reação imediata na curva de DI

  • DI jan/27 subiu a 14,045% (alta de quase 10 pontos-base).
  • DI jan/29 avançou 21 pontos-base, para 14,705%.
  • DI jan/36 foi a 14,825%, aumento de 14 pontos-base.

Taxas mais altas na curva significam que o mercado exige prêmio maior para emprestar dinheiro no futuro, refletindo percepção de risco e de inflação maiores.

Por que isso importa para o investidor iniciante

  • Renda fixa: Títulos pós-fixados atrelados ao CDI tendem a pagar mais se a Selic ficar alta por mais tempo. Já papéis prefixados ou Tesouro IPCA sofrem oscilações nos preços de mercado quando os juros sobem.
  • Bolsa: Juros elevados reduzem o valor presente de ações e podem pressionar setores sensíveis a financiamento, como varejo e construção.
  • Dólar: A perspectiva de aperto monetário nos EUA costuma fortalecer a moeda americana, o que pode aumentar a volatilidade cambial por aqui.

Próximos pontos de atenção

  • Decisão do Copom em 5 de agosto: mercado ainda precifica chance de corte de 0,25 p.p.
  • Reunião do Federal Reserve em 29 de julho: maioria aposta em manutenção, mas toda sinalização sobre setembro será decisiva.
  • Evolução do conflito no Oriente Médio e do preço do petróleo.

Para quem acompanha o mercado, o recado é claro: enquanto os rendimentos globais permanecerem em alta e o petróleo pressionar a inflação, o Banco Central brasileiro terá pouco espaço para acelerar o afrouxamento da Selic.

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