Ofertas no mercado de capitais batem recorde no 1º semestre de 2026 e destacam salto de FIIs e Fiagros

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções1 minuto atrás18 Visualizações

A Anbima registrou R$ 361,8 bilhões em ofertas no mercado de capitais brasileiro entre janeiro e junho de 2026, o maior patamar para um primeiro semestre desde o início da série em 2012. O montante representa alta de 9,8% sobre igual período de 2025 e foi distribuído em 1.513 operações.

Renda fixa segue líder, mas híbridos roubam a cena

Em meio a juros domésticos elevados e incertezas externas, a renda fixa continuou dominando as captações, somando R$ 288,8 bilhões. Ainda assim, o destaque veio dos instrumentos híbridos:

  • Fundos Imobiliários (FIIs): R$ 39,5 bilhões, avanço anual de 103,9%.
  • Fiagros: R$ 8,3 bilhões, salto de 288,3%.

Esses produtos misturam características de renda fixa e variável. Para o investidor iniciante, FIIs oferecem exposição ao setor imobiliário via Bolsa, enquanto Fiagros levam recursos ao agronegócio. Ambos distribuem rendimentos isentos de IR para pessoas físicas, fator que costuma ganhar força quando os juros pagos pelos títulos públicos pressionam a busca por rendimento líquido.

Pessoa física amplia participação

O volume captado em títulos híbridos por investidores individuais passou de R$ 9,7 bilhões para R$ 20,7 bilhões em um ano. Segundo a Anbima, o mesmo movimento ocorreu entre fundos de investimento, que aumentaram as subscrições de R$ 6 bilhões para R$ 18,9 bilhões. O cenário reforça a tendência de diversificação de portfólios além do tradicional Tesouro Selic ou CDB atrelado ao CDI.

Renda variável ensaia retomada

Depois de um período sem estreias, a B3 registrou o primeiro IPO de 2026 e oito follow-ons, somando R$ 22,2 bilhões — o dobro do observado no primeiro semestre de 2025. Apesar de tímida, a volta das emissões de ações indica maior apetite ao risco, normalmente associado à expectativa de queda gradual da Selic nos próximos trimestres.

Debêntures recuam no primário, mas ganham liquidez no secundário

As emissões de debêntures totalizaram R$ 169,8 bilhões, queda de 12,1% em valor apesar do número maior de operações. Já no mercado secundário, onde o investidor pode negociar papéis após a emissão, o volume saltou 20,6%, para R$ 494,6 bilhões. Esse dado sinaliza que a classe ganhou profundidade e facilidade de saída, item relevante para quem busca renda fixa corporativa.

Outros instrumentos: notas comerciais e FIDCs

  • Notas comerciais: 123 operações, recorde para o semestre, mas com recuo de 11,4% no volume financeiro.
  • FIDCs: R$ 53,1 bilhões em 559 operações, mantendo o instrumento como fonte relevante de crédito para empresas.

Captações externas reacendem

No mercado internacional, empresas, bancos e o governo brasileiro levantaram US$ 24,8 bilhões, melhor resultado desde 2014. A dívida soberana respondeu por quase 60% desse total, sinal de que o Tesouro aproveitou janelas de custo ainda favorável em dólar para alongar vencimentos.

O que fica para o investidor

A marca histórica no primeiro semestre confirma a disposição de empresas e fundos em acessar recursos mesmo com juros domésticos altos. Para quem está começando a investir, o dado principal é a diversidade de instrumentos: de debêntures incentivadas, que financiam infraestrutura com isenção de IR, a alternativas híbridas como FIIs e Fiagros. Conhecer o risco de crédito, a liquidez de cada ativo e a relação com movimentos futuros da Selic continua essencial antes de qualquer decisão.

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