Ibovespa recua pós-Super Quarta com corte da Selic, dólar acima de R$ 5,13 e queda do petróleo

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções15 minutos atrás7 Visualizações

O pregão desta quinta-feira (18) começa com ajustes à chamada “Super Quarta”, quando Banco Central (Copom) e Federal Reserve divulgaram decisões de política monetária. Por volta de 10h10, o Ibovespa cedia 0,12%, aos 168.250 pontos, enquanto o dólar à vista avançava 0,61%, a R$ 5,139. No exterior, o DXY — que compara o dólar a seis moedas fortes — subia 0,59%.

1. Um dia depois da Super Quarta

A combinação de um comunicado do Copom considerado mais “suave” (dovish) e de um Fed cauteloso criou um cenário misto para os mercados:

  • Selic: corte de 14,50% para 14,25% ao ano, terceira redução seguida.
  • Fed Funds: mantidos em 3,50%–3,75% ao ano, mas o dot-plot aponta chance de nova alta até dezembro.
  • A incerteza sobre a trajetória dos juros lá fora sustenta o dólar e pressiona os mercados emergentes, enquanto a sinalização de cortes mais graduais na Selic levou parte dos investidores a revisar apostas em renda fixa e Bolsa.

2. Copom alivia o tom, mas mantém o pé no freio

Ao retirar a indicação de continuidade automática dos cortes e colocar a convergência da inflação para 2028 (antes fim de 2027), o BC reforçou que os próximos passos dependem de dados como:

  • ritmo de atividade — que acelerou no 1º trimestre;
  • inflação de serviços, mais sensível ao consumo interno;
  • cenário fiscal e eventual estímulo à demanda.

Para o investidor iniciante, a mensagem é que Selic menor não significa trajetória linear de cortes. Títulos prefixados ou atrelados ao IPCA podem continuar voláteis até que o mercado enxergue um rumo mais claro.

3. Fed sinaliza possível aumento e fortalece o dólar

Kevin Warsh, em sua primeira coletiva como presidente do Fed, evitou se comprometer com projeções e disse considerar o dot-plot “uma estimativa a lápis”. Mesmo assim, o documento mostrou a maioria dos dirigentes vendo espaço para elevar juros em 0,25 ponto até o fim do ano.

Com isso, a ferramenta FedWatch passou a embutir 69,5% de probabilidade de alta em setembro. Taxas mais altas nos EUA tendem a:

  • aumentar a atratividade dos títulos norte-americanos;
  • estimular a migração de capital para o dólar;
  • encarecer o custo de financiamento de países emergentes.

4. Acordo EUA-Irã derruba o petróleo e alivia pressões inflacionárias

A assinatura de um pacto provisório entre Washington e Teerã, que prevê o fim das hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz, levou o Brent a US$ 78,29 (-1,61%) e o WTI a US$ 75,16 (-2,14%), níveis mais baixos em quase quatro meses.

Para o bolso do consumidor brasileiro, preços menores do barril podem significar:

  • redução de pressões sobre combustíveis, item de forte peso no IPCA;
  • eventual alívio de custos logísticos, beneficiando setores de varejo e transporte;
  • impacto negativo em companhias de óleo e gás listadas na B3, que costumam acompanhar a cotação internacional.

5. Inflação do aluguel recua na segunda prévia de junho

O IGP-M caiu 0,42%, revertendo a alta de 0,86% observada na mesma leitura de maio. O destaque foi a deflação de 0,84% do IPA-M (preços no atacado), influenciada pelo recuo das commodities. Já o INCC passou de 0,73% para 0,91%, refletindo maiores custos de mão de obra na construção civil.

Como o IGP-M indexa muitos contratos de aluguel, a leitura sugere alívio para locatários nos próximos reajustes, embora o índice ainda acumule alta em 12 meses.

O que acompanhar daqui para frente

  • Próxima ata do Copom – sairá na semana que vem e deve detalhar o debate sobre o ritmo de cortes.
  • Dados de inflação – IPCA-15 de junho será relevante para calibrar expectativas.
  • Agenda do Fed – discursos de dirigentes pós-reunião podem reforçar ou suavizar a visão de alta de juros.
  • Mercado de petróleo – a implementação do acordo EUA-Irã e eventuais reações da Opep+ podem mudar o rumo dos preços.

Enquanto isso, volatilidade tende a permanecer elevada. Para quem investe, compreender como juros, câmbio e commodities se interligam ajuda a avaliar riscos de cada classe de ativo sem depender apenas de manchetes.

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