Corte de 0,25 ponto na Selic ganha 90% de probabilidade após IPCA-15 surpreender

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções6 minutos atrás7 Visualizações

A prévia da inflação de julho trouxe alívio ao mercado e reforçou a aposta de que o Banco Central reduzirá a taxa Selic na reunião do Copom do próximo dia 5 de agosto. Depois que o IPCA-15 subiu apenas 0,06% no mês, a curva de juros passou a embutir 90% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual, segundo cálculos de economistas.

O que mudou na inflação

  • O IPCA-15 desacelerou de 0,41% para 0,06% entre junho e julho.
  • Em 12 meses, a inflação recuou para 4,52%, ainda levemente acima do teto da meta de 4,5% para 2026.

A leitura mais suave diminui a pressão para manter a Selic, hoje em 14,25% ao ano, em patamar considerado “muito contracionista” pelo mercado.

Reação imediata na curva de juros

  • DI jan/27 caiu a 13,865% — recuo de 5 pontos-base em relação ao fechamento anterior.
  • DI jan/29 recuou a 14,180%, depois de bater mínima de 14,165%.
  • DI jan/36 desceu para 14,580%, queda de 7 pontos-base.

Esses movimentos indicam que investidores estão exigindo prêmios menores para aplicações prefixadas, sinalizando confiança em juros mais baixos adiante.

Por que isso importa para o investidor iniciante

  • Renda fixa: títulos atrelados ao CDI tendem a render um pouco menos caso a Selic caia; prefixados podem ganhar valor se os cortes continuarem.
  • Bolsa: juros menores reduzem o custo de capital e podem favorecer ações de setores sensíveis ao crédito, como varejo e construção.
  • Dólar: a perspectiva de afrouxamento pode pressionar a moeda, mas o efeito depende também do cenário externo.

Cenário externo ajuda

Além dos números domésticos, a trégua entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio baixou os preços do petróleo Brent para menos de US$ 85, reduzindo receios de novos choques inflacionários. Ao mesmo tempo, os rendimentos (yields) dos Treasuries americanos caem antes da decisão do Federal Reserve, que tende a manter os Fed Funds entre 3,50% e 3,75% ao ano. Yields mais baixos lá fora aliviam a pressão sobre países emergentes como o Brasil.

Próximos passos do Copom

A probabilidade de um novo corte de 0,25 ponto em setembro subiu para 40%, segundo projeções de mesa de renda fixa. No entanto, o BC já indicou que continuará dependente dos dados de inflação e atividade.

Para o investidor, entender a dinâmica entre IPCA, Selic e curva de juros ajuda a calibrar expectativas de retorno e risco em diferentes classes de ativos. Mesmo que o corte de agosto pareça bem precificado, a trajetória futura ainda pode mudar conforme surgirem novos indicadores econômicos.

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