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Na última sessão de junho, os juros futuros negociados na B3 aceleraram a queda e encerraram o semestre com novos pisos intradiários. O movimento ganhou força depois que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou criação de apenas 72.960 vagas formais em maio, muito aquém das 120 mil postos esperados pelos economistas.
O Caged mede os empregos com carteira assinada, termômetro importante da atividade econômica. Números mais fracos sugerem ritmo menor de crescimento e, por consequência, menor pressão inflacionária. Para o investidor, isso costuma significar maiores chances de o Banco Central manter ou até acelerar o ciclo de cortes da Selic.
Na prática, a parte curta da curva — onde se concentram as expectativas para a Selic nos próximos 12 a 24 meses — chegou a negociar brevemente abaixo do patamar psicológico de 14% ao longo da tarde.
Apesar da queda generalizada na sessão, a comparação com o fim de maio mostra inclinação maior entre os vértices. Enquanto o DI jan/27 cedeu cerca de 10 pontos-base no mês, os vencimentos de 2029 e 2031 subiram 25 e 32 pontos-base, respectivamente. Segundo profissionais de renda fixa, esse desenho é comum quando o mercado projeta cortes próximos seguidos de uma retomada de alta mais adiante, refletindo a natureza cíclica da política monetária brasileira.
No mercado de opções digitais do Copom, a divulgação do Caged alterou as apostas:
A precificação está alinhada à leitura da curva de juros, que embute perspectiva de continuidade do alívio monetário no curto prazo.
Imagem: Estadão Cteúdo
Para quem aplica em renda fixa, a dinâmica de queda dos DIs tende a valorizar títulos prefixados ou atrelados ao IPCA já adquiridos, pois eles carregam taxas mais altas contratadas no passado. Já quem pensa em comprar novos papéis encontra cupons menores, resultado direto da expectativa de Selic mais baixa.
No Tesouro Direto, por exemplo, é comum que os preços dos títulos se ajustem rapidamente aos movimentos de mercado. Por isso, acompanhar indicadores como Caged, Pnad Contínua e inflação ajuda a entender por que as taxas variam de um dia para o outro.
Com o petróleo girando perto de US$ 70 e o mercado de trabalho doméstico perdendo fôlego, os dados divulgados nesta terça reforçam o diagnóstico de menor pressão inflacionária. Caso o quadro se confirme nos próximos meses, o Banco Central pode levar a Selic a um nível ainda abaixo dos atuais 14,25% — algo que tende a repercutir em toda a prateleira de investimentos, do CDI às ações mais sensíveis a juros.
Para o investidor, a mensagem é clara: o comportamento da economia real continua ditando o ritmo dos juros. Monitorar os indicadores de atividade e inflação segue essencial para entender a direção dos rendimentos, principalmente em um semestre que começa sob a expectativa de novos cortes na taxa básica.
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