![Inflação em queda pode limitar retorno dos títulos IPCA+, diz Bruno Serra 4 [Renda Fixa] Inflação em queda pode limitar retorno dos títulos IPCA+, diz Bruno Serra](https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2026/07/traderiniciante-1785326355.webp)
As NTN-B, títulos públicos indexados ao IPCA e também conhecidos como Tesouro IPCA+, vêm sendo negociadas a juros reais em torno de 8% ao ano. À primeira vista o número parece atraente, mas, para Bruno Serra, gestor do fundo Itaú Janeiro e ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, a combinação de inflação cadente e taxas prefixadas próximas de 14,5% deve frustrar o investidor que buscar proteção apenas nos papéis atrelados à inflação.
Serra projeta que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – referência para a correção das NTN-B – deve rodar perto de 0,10% neste mês, apresentar deflação de –0,40% no próximo e encerrar o trimestre com média mensal de apenas 0,05%. Com um IPCA anualizado entre 4% e 5%, a parcela de correção monetária do título fica modesta, limitando o retorno total praticamente ao juro real de 8% ao ano.
A chamada “inflação implícita” nada mais é do que a diferença entre a taxa de um título prefixado e o juro real de um papel indexado ao IPCA. No momento, essa diferença gira em torno de 6 pontos percentuais (14,5% – 8%). Se a inflação realizada ficar bem abaixo disso, quem estiver em NTN-B poderá ganhar menos do que quem optou por prefixados ou Selic.
Esses elementos elevam a volatilidade das taxas de juros, mas, segundo Serra, não são suficientes para sustentar uma inflação persistentemente alta no horizonte de curto prazo.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
O ex-diretor do BC acredita em dois cortes consecutivos de 0,25 ponto na Selic ainda neste ano, seguidos de possível redução mais acelerada em 2027, quando projeta a taxa na casa dos 10% em meio a uma economia enfraquecida. Ele prevê crescimento do PIB abaixo de 1% no próximo ano, com risco de números negativos caso o consumo continue arrefecendo diante do elevado endividamento das famílias.
Em um ambiente de inflação mais baixa, entender a diferença entre retorno real e nominal torna-se crucial. Para quem está começando a investir em renda fixa, comparar o juro real das NTN-B com a taxa nominal dos prefixados ou pós-fixados é passo importante para avaliar se o prêmio de risco compensa — sempre lembrando que taxas e cenários podem mudar rapidamente à medida que novas informações econômicas surgem.
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