
Michael Saylor, fundador da Strategy, afirma que usou o ChatGPT, da OpenAI, para ajudar a empresa a criar novas ações preferenciais e captar US$ 15 bilhões no último ano. A declaração foi feita em uma conversa de quase 1h40 com o canal The Diary of a CEO, publicada na quarta-feira (4); o registro da notícia está datado de 6 de agosto de 2026.
De acordo com Saylor, a Strategy havia chegado ao limite de suas duas principais formas tradicionais de captação: a emissão de ações ordinárias e de títulos de dívida conversíveis em ações. A empresa então buscou um novo instrumento para levantar recursos e comprar mais Bitcoin.
Saylor disse que a Strategy possuía US$ 30 bilhões em Bitcoin, mas precisava de mais capital para ampliar suas compras. A solução apresentada foi o desenvolvimento de ações preferenciais, instrumentos que, na explicação do executivo, combinariam características de uma ação comum e de um título de dívida.
O primeiro modelo citado foi a STRK, descrita como uma ação preferencial conversível e lastreada em Bitcoin. Saylor afirmou que sua criação envolveu engenharia financeira, engenharia de ativos digitais, trabalho jurídico e legislação do mercado de capitais.
O executivo relatou que consultou advogados e banqueiros, mas ouviu que ninguém havia feito algo semelhante e que a Strategy não deveria seguir com a ideia. Ainda assim, segundo ele, a empresa decidiu avançar porque seu crescimento poderia parar caso não encontrasse uma nova forma de captação.
Na avaliação de Saylor, o objetivo era criar algo parecido com um fundo de mercado, no qual os investidores receberiam rendimento sem precisar lidar diretamente com a volatilidade. Para isso, a taxa de dividendos poderia ser alterada todos os meses, mecanismo que ele descreveu como inédito entre ações preferenciais com dividendos variáveis.
Saylor também afirmou que consultou a inteligência artificial sobre a possibilidade de estruturar o produto. Segundo o relato, o ChatGPT indicou caminhos para desenvolver o instrumento e alternativas caso houvesse objeções ao modelo.
Em julho, a Strategy apresentou quatro ações preferenciais: STRF, STRC, STRK e STRD. A legenda associada ao anúncio registra que, em julho de 2025, os papéis foram apresentados para captar dinheiro destinado a novos aportes em Bitcoin.

A STRC ganhou mais tração que as demais por utilizar um modelo de ancoragem em US$ 100 e realizar pagamentos mensais de dividendos. Embora tenha permanecido relativamente estável em seu primeiro ano de negociação, a ação caiu para US$ 71,25 em junho.
Depois que a Strategy vendeu Bitcoins para recomprar STRC e pagar dividendos, o papel voltou a subir. A ação era negociada na faixa de US$ 94,5, seu maior preço dos últimos 50 dias, conforme o relato apresentado.
O fundador da Strategy já havia comentado o uso de inteligência artificial em maio de 2025. Na ocasião, afirmou que a tecnologia nem sempre entrega um resultado pronto para uso, mas realiza entre 80% e 95% do trabalho antes de o material ser encaminhado às equipes financeira e jurídica da empresa.
Quando a STRC ficou abaixo de US$ 100 nos meses anteriores, parte da comunidade passou a ironizar a Strategy nas redes sociais e a sugerir que não se deveria confiar em inteligências artificiais.
Nas semanas seguintes, porém, a ação se recuperou com as vendas de Bitcoin e as recompras de STRC realizadas pela Strategy, aproximando-se novamente de US$ 100. Saylor também declarou ter usado o ChatGPT da OpenAI no desenvolvimento do modelo. A possibilidade de a ferramenta ter sido usada nas decisões mais recentes é apresentada como hipótese, não como confirmação.
A conversa completa com Michael Saylor foi disponibilizada em vídeo.
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