
A Aeris (AERI3) pediu, por meio de uma ação cautelar, a suspensão das execuções judiciais movidas por credores por até 60 dias. A medida foi comunicada pela fabricante de equipamentos para o setor de energia eólica na quinta-feira (20) e tem como objetivo abrir espaço para a renegociação das dívidas.
O pedido ocorre em um momento de dificuldades financeiras para a companhia. Na mesma semana, a Casas Bahia (BHIA3) e a Marabraz haviam pedido recuperação judicial. No caso da Aeris, porém, o comunicado trata de uma ação cautelar para suspender execuções e de conversas com credores, sem informar um pedido de recuperação judicial.
A Aeris afirmou que pretende renegociar os termos originais de suas dívidas e adaptar a estrutura de capital à capacidade de geração de caixa e às perspectivas de longo prazo.
“Essa medida temporária e preparatória visa preservar as condições necessárias para a continuidade das tratativas com os credores”, declarou a companhia.
Segundo a empresa, a ação não afetará suas operações nem terá impacto sobre clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros essenciais para o funcionamento da companhia. A suspensão foi solicitada pelo prazo de 60 dias.
A Aeris reportou prejuízo líquido de R$ 152 milhões no segundo trimestre de 2026, ampliando as perdas acumuladas no ano. As despesas financeiras líquidas somaram R$ 114 milhões no período, uma alta de 60,5%.
A companhia tinha R$ 17,3 milhões em caixa livre, enquanto a dívida bruta totalizava R$ 1,9 bilhão. A diferença entre esses valores ajuda a dimensionar a pressão financeira mencionada no comunicado, embora a empresa afirme que segue trabalhando na preservação de caixa.
“A companhia segue comprometida com a preservação de caixa, a disciplina na alocação de capital e focada em estudos adicionais visando à maior otimização de sua estrutura de capital”, escreveu a Aeris em seu release de resultados.
As ações da Aeris perderam 98% do valor desde a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), realizada em 2021. A empresa fabrica pás e geradores elétricos para o setor de energia eólica e abriu o capital com um forte discurso ligado à agenda ESG, sigla usada para questões ambientais, sociais e de governança.
De acordo com o material divulgado, a falta de resultados e o aumento do endividamento pressionaram os negócios em meio à frustração com a demanda no setor eólico.
Em maio de 2025, a Aeris havia concluído um processo de reperfilamento do passivo financeiro. A operação contemplou a reestruturação de aproximadamente 90% do endividamento total.
Na ocasião, a companhia afirmou que a iniciativa proporcionou o alongamento dos prazos de vencimento da dívida e contribuiu para reduzir a pressão de curto prazo sobre o serviço da dívida. Agora, a empresa busca manter as tratativas com os credores enquanto tenta ajustar novamente sua estrutura de capital.
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