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Uma onda recente de inadimplência e recuperações judiciais no agronegócio acendeu o sinal de alerta entre bancos, fundos e fintechs que financiam o setor. Para Alan Glezer, CEO da Agrolend, o maior equívoco nessa leitura de risco é tratar a alavancagem do produtor rural como variável isolada.
Alavancagem é, em termos simples, a relação entre o que um negócio deve e o que ele de fato gera de recursos. No campo, porém, há particularidades que complicam a conta:
Se o investidor olhar apenas para o tamanho da dívida, pode concluir que o produtor está excessivamente exposto, quando, na prática, ele pode sustentar o passivo graças a altos níveis de produtividade por hectare.
Segundo Glezer, o verdadeiro desafio é cruzar duas métricas:
Um produtor altamente endividado, mas que consegue colher duas ou até três safras por ano, tende a gerar receita suficiente para honrar compromissos. Já outro com menor dívida, mas produtividade abaixo da média, oferece risco maior de inadimplência.
O setor vive um ciclo de aperto em margens, resultado da combinação de preços internacionais mais voláteis e custos de insumos ainda elevados. A isso se somam taxas de juros domésticas em patamar superior ao visto há alguns anos, o que encarece:
Nesse ambiente, a avaliação fina de risco ganha peso, pois erros de precificação podem rapidamente virar default.
Imagem: Pasquale o
Dívidas rurais podem chegar até você de várias formas: CRAs, Fiagros, debêntures incentivadas de agronegócio ou, indiretamente, pelos balanços de bancos listados na B3. Quando a inadimplência aumenta, o impacto aparece em:
Saber que produtividade é peça central na análise pode ajudar o investidor a entender por que dois títulos aparentemente semelhantes em valor e prazo pagam cupons diferentes.
Mesmo diante do momento mais tenso, Glezer mantém perspectiva favorável para o agronegócio brasileiro. Entre os fatores citados estão:
Na prática, o executivo sinaliza que o ciclo atual exige cautela — tanto de quem empresta quanto de quem investe em produtos ligados ao agro —, mas não altera os fundamentos de longo prazo do setor.
Para o investidor iniciante, a lição é clara: avaliar risco no campo vai além de checar o tamanho da dívida. Entender como a produtividade sustenta (ou não) essa alavancagem ajuda a interpretar melhor os movimentos de preços de ativos ligados ao agronegócio.
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