
Michael Saylor, fundador da Strategy, defendeu em uma publicação nas redes sociais no sábado, 19 de setembro de 2026, que a proteção do mercado de criptomoedas contra futuros governos contrários ao setor depende mais da adoção em massa do que de uma lei. A manifestação ocorreu após o Clarity Act, projeto voltado a dar clareza regulatória ao mercado cripto, ficar travado no Senado americano naquela semana por falta de votos favoráveis.
Para o bilionário, oferecer serviços financeiros úteis a milhões de americanos tornaria politicamente mais difícil retirar esses benefícios. Sua proposta é ampliar o acesso a produtos com custos menores, facilidade de uso e maior controle do cliente sobre o próprio dinheiro, criando um interesse concreto na preservação da inovação.
“Nosso caminho mais seguro é criar produtos que encantem os clientes e disponibilizá-los amplamente”, afirmou Saylor.
O projeto é visto como uma forma de impedir que futuras administrações contrárias às criptomoedas ataquem o mercado. Saylor, porém, argumentou que o texto contém restrições e que sua eventual aprovação não eliminaria a influência política sobre a regulamentação.
Entre os pontos criticados, ele afirmou que a proposta proibiria empresas de pagar juros ou recompensas caso tivessem uma stablecoin. Também apontou que o Tesouro americano poderia restringir determinados programas de recompensas para proteger bancos.
“Nenhuma lei elimina a política da regulamentação. Uma futura administração ainda tomaria decisões importantes de implementação e fiscalização”, declarou.
Para ilustrar sua posição, Saylor apresentou um cenário hipotético com 50 milhões de eleitores americanos usando produtos financeiros digitais que melhorassem suas vidas. Os benefícios mencionados foram pagamentos mais baratos, acesso conveniente ao Bitcoin, valores mobiliários úteis, produtos de renda transparentes e crédito em condições competitivas. O número foi usado como exemplo, não como uma contagem de usuários.
Na avaliação dele, esses eleitores teriam benefícios concretos a defender. Por isso, retirar uma tecnologia pouco conhecida teria um custo político diferente de retirar um serviço do qual milhões de pessoas já dependessem. Um futuro governo, argumentou, precisaria explicar por que esses clientes deveriam perder as vantagens que já utilizavam.
Saylor também lembrou que, depois do bloqueio ao avanço do Clarity Act, SEC e CFTC publicaram novas regulações que abriram espaço para o mercado cripto. Em sua leitura, isso demonstra que a legislação vigente já permite explorar oportunidades sem aceitar as restrições adicionais do projeto como condição para avançar.
Ao defender que o setor pode se desenvolver nas condições atuais, Saylor citou empresas e ativos já em atividade: a própria Strategy e sua ação preferencial STRC; a corretora Coinbase; a Circle, emissora do USDC; e o Bitcoin. Segundo ele, cada um ocupa um papel nesse conjunto de negócios e produtos.
Sua avaliação é que essas categorias se fortalecem mutuamente. Desenvolvedores, afirmou, podem combinar suas capacidades para criar produtos mais úteis do que cada componente ofereceria isoladamente.
O fundador da Strategy também defendeu a participação dos bancos nesse mercado. Entre os serviços que essas instituições poderiam disputar, citou custódia, pagamentos, distribuição e crédito com ativos digitais como garantia.
“Instituições estabelecidas e novos participantes devem conquistar clientes oferecendo produtos e serviços melhores. É assim que a inovação financeira melhora o sistema financeiro”, afirmou.
À época da manifestação, a Strategy mantinha US$ 68,8 bilhões em Bitcoin em caixa e era a maior empresa de tesouraria de criptomoedas do mundo.
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