
Afya e Yduqs confirmaram na noite de quarta-feira, 23 de setembro de 2026, um acordo para reunir seus negócios e formar um dos maiores grupos de educação do Brasil. Juntas, as companhias registraram receita líquida de R$ 9,4 bilhões nos 12 meses encerrados em junho. A conclusão da operação ainda depende da aprovação dos acionistas e dos órgãos reguladores.
A combinação será realizada por troca de ações: a Yduqs, negociada na B3 no segmento do Novo Mercado, incorporará a Afya, listada na Nasdaq, nos Estados Unidos. Apesar dessa estrutura, o controle da companhia resultante permanecerá com os acionistas que controlam a Afya, tendo o grupo alemão Bertelsmann como controlador.
O acordo aproxima a líder brasileira no ensino de Medicina, que também desenvolveu serviços e especializações para acompanhar médicos ao longo da carreira, de um dos maiores grupos de ensino superior do país. Ambas concentram sua atuação em cursos considerados premium, com rentabilidade superior à média do setor. Em comunicado, a Yduqs apresentou a operação como uma combinação de plataformas complementares de educação superior no Brasil.
Pelos termos do acordo, o bloco de acionistas da Afya ficará com 69% do capital social emitido e em circulação após a fusão, enquanto os acionistas da Yduqs terão 31%. As participações previstas para os principais acionistas são:
Kay Krafft, CEO da Bertelsmann Education, assumirá a presidência do conselho. Virgilio Gibbon, atual CEO da Afya, será o principal executivo da companhia combinada. Rossano Marques, hoje CEO da Yduqs, presidirá a área de Ensino Superior, sem incluir a unidade de Medicina.
Gibbon afirmou, em comunicado, que a intenção é ampliar o uso da inteligência artificial e de outras tecnologias na formação dos alunos e aproveitar as melhores práticas das duas plataformas, preservando as forças, as marcas e as capacidades institucionais de cada negócio.
Marques, por sua vez, declarou que a diversidade do portfólio dará à nova companhia capacidades que considera únicas em graduação, educação continuada e soluções para a prática médica.
Os números financeiros combinados mostram a dimensão dos negócios que serão reunidos, caso a operação seja aprovada. No primeiro semestre de 2026, Afya e Yduqs somaram receita de R$ 4,97 bilhões e resultado operacional ajustado, medido pelo Ebitda, de R$ 1,89 bilhão.
Considerando os 12 meses até junho de 2026, os resultados conjuntos foram:

No fato relevante da Yduqs, as sinergias — ganhos esperados com a integração dos negócios — foram estimadas entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões. As medidas se concentram na otimização de custos, despesas gerais e administrativas e investimentos em capital, identificados pela sigla Capex. Cerca de 80% desses ganhos poderiam ocorrer nos três primeiros anos após a conclusão da operação.
Há uma divergência temporal no relato do anúncio: a abertura informa que as empresas confirmaram o acordo na noite de quarta-feira (23), enquanto a referência ao fato relevante da Yduqs registra sua divulgação na noite de terça-feira.
Antes do anúncio da fusão, o JPMorgan havia estimado sinergias entre R$ 1,3 bilhão e R$ 2,8 bilhões. Nos cálculos do banco, uma redução de 10% nas despesas gerais e administrativas representaria economia anual de aproximadamente R$ 200 milhões. Essas estimativas são distintas da faixa divulgada pela Yduqs e não representam ganhos já realizados.
A Yduqs reúne Estácio, Wyden e Ibmec em sua operação de ensino superior de massa, com modalidades presencial e digital. Também controla o IDOMED, que possui 18 escolas, aproximadamente 2.120 vagas anuais autorizadas e 11,4 mil estudantes de Medicina.
No primeiro semestre de 2026, o IDOMED gerou receita de R$ 694 milhões e Ebitda de R$ 343 milhões, com margem de 49%. A área respondeu por 23% do faturamento da Yduqs e por 35% de seu Ebitda ajustado, evidenciando sua importância nos resultados do grupo.
A Afya conta com 3.768 vagas anuais de Medicina autorizadas pelo Ministério da Educação e cerca de 26,4 mil alunos. A combinação com a Yduqs oferece tanto expansão imediata nesse segmento quanto diversificação para outras áreas do ensino superior.
Em estimativas anteriores ao anúncio, o JPMorgan calculava que a companhia combinada teria aproximadamente 50 escolas, quase 5.900 vagas anuais e 39,4 mil alunos, além de cerca de 17% das vagas privadas de Medicina do país. A projeção de estudantes do banco difere da soma dos números operacionais apresentados para Afya e IDOMED.
O ensino de Medicina ganhou espaço nos últimos anos como um segmento de maior segurança para os grupos educacionais. Entre suas características estão a mensalidade média mais alta, de R$ 11 mil, os baixos índices de desistência e a demanda elevada. O espaço para crescimento também está associado ao número de médicos inferior ao observado em países desenvolvidos.
A negociação entre Afya e Yduqs começou meses antes do acordo e foi confirmada pelas empresas em agosto. Naquele momento, ambas afirmaram que as conversas estavam em fase inicial e não envolviam compromisso vinculante.

De acordo com pessoas ouvidas pelo InvestNews, a aproximação ganhou força em 2026 depois que o governo federal interrompeu uma das principais alternativas de expansão da Afya: a abertura de novas vagas de Medicina.
Em fevereiro, o Ministério da Educação (MEC) revogou o processo do Mais Médicos III, que poderia autorizar quase 6 mil vagas em cursos privados de Medicina. A Afya pretendia disputar a abertura de cerca de 1.400 vagas anuais.
A medida ocorreu em um contexto de maior rigor do MEC para autorizar novas vagas, após notas abaixo do esperado no Enamed, conforme relatado pelo InvestNews em março.
Como o curso de Medicina dura seis anos, aquelas autorizações poderiam adicionar mais de 8 mil estudantes à base da Afya quando os cursos atingissem a maturidade. Considerando o valor médio então praticado, essa capacidade poderia representar quase R$ 1 bilhão de receita anual. Tratava-se de um potencial de expansão, não de receita obtida.
Sem essa alternativa para abrir novas vagas, as aquisições passaram a ter maior importância para a estratégia da Afya.
O acordo também representa uma nova etapa no histórico de consolidação da Yduqs. Em 2017, o Cade impediu a compra da então Estácio pela Kroton, hoje Cogna, que também atua na educação médica. As duas empresas retomaram conversas nos últimos anos, mas não chegaram a um acordo.
A fusão agora acertada entre Afya e Yduqs ainda precisa passar pela aprovação dos acionistas e dos órgãos reguladores para ser concluída.
Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.






