A Braskem comunicou nesta segunda-feira (20) que a Novonor, antiga Odebrecht, firmou contrato para repassar sua participação controladora na petroquímica ao fundo de investimento em participações Shine I FIP, assessorado pela gestora brasileira IG4 Capital.
A operação, anunciada inicialmente em dezembro, envolve cerca de R$ 20 bilhões em dívidas garantidas por ações da companhia. Concluída a transação, o fundo dividirá o comando da Braskem com a Petrobras, segunda maior acionista.
Segundo fato relevante divulgado pela Braskem, o Shine deterá 50,1% do capital votante e 34,3% do capital total. A fatia da Novonor cairá para aproximadamente 4% do capital social.
A conclusão depende do aval de autoridades regulatórias e da decisão da Petrobras sobre seus direitos de preferência e de venda conjunta (“tag along”) previstos no acordo de acionistas. A estatal declarou no mês passado que não exercerá essas prerrogativas.
A IG4 Capital é especializada em empresas endividadas ou em reestruturação. Em 2017, adquiriu o controle da CAB Ambiental, rebatizada como Iguá Saneamento, companhia da qual se desfez em 2024.
No início de abril, fontes a par das negociações disseram que a Braskem avalia pedir proteção judicial contra credores; a empresa não confirmou. Além disso, o fundo aguarda o aval do órgão antitruste europeu, decisão que só deve sair a partir de maio.
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A Braskem vem enfrentando cenário adverso, marcado por demanda global fraca, tentativas frustradas de venda de ativos pela Novonor após o escândalo Lava Jato e impacto de um desastre ambiental em mina de sal.
Em 27 de março, a petroquímica reportou prejuízo de R$ 10,28 bilhões no quarto trimestre de 2025, ante perda de R$ 5,65 bilhões um ano antes. O Ebitda recorrente somou R$ 589 milhões, crescimento de 6%, mas abaixo da projeção de R$ 665 milhões do mercado. A receita líquida caiu 16%, para R$ 16,10 bilhões; 60% desse valor veio do Brasil e 22%, dos Estados Unidos.
Conforme a companhia, os resultados foram afetados pelo ciclo de baixa prolongado do setor, conflitos geopolíticos, guerra tarifária e sazonalidade que pressionaram as margens de produtos químicos e petroquímicos.