Japão usa antigos campos de golfe para ampliar geração de energia solar

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoMercado Financeiro4 minutos atrás7 Visualizações

Antigos campos de golfe se tornaram uma alternativa para a expansão da energia solar no Japão, onde encontrar terrenos para grandes usinas é um dos obstáculos enfrentados pelos empreendedores. Essas áreas já concentram cerca de 9% da capacidade das instalações solares de maior porte do país, segundo análise da BloombergNEF que considera projetos a partir de 0,9 megawatt.

A conversão desses terrenos também aparece nos próximos empreendimentos: cálculos da Bloomberg apontam pelo menos 1 gigawatt em projetos solares anunciados ou em construção sobre campos de golfe japoneses. O volume corresponde a aproximadamente 10% da carteira atual de projetos.

Em um território montanhoso e densamente povoado, os campos estão entre as áreas abertas que ainda comportam instalações desse tamanho. Multiplicados durante a prosperidade econômica dos anos 1980, eles representam uma herança da bolha econômica japonesa que passou a integrar a transição energética. Algumas das maiores usinas solares do país já foram construídas nesses espaços.

Clube deficitário tem projeto de 152 megawatts

Um dos empreendimentos planejados está no Minohara Country Club, na província de Gunma, a cerca de duas horas do centro de Tóquio, capital japonesa. Seus gramados atravessam colinas arborizadas e devem dar lugar a fileiras de painéis solares nos próximos anos.

A construtora Kamisato Kensetsu comprou o campo de 27 buracos em 2025 e pretende instalar no local uma capacidade de 152 megawatts. Trata-se de um dos maiores projetos solares previstos para o Japão.

Daisuke Toya, diretor da empresa, afirma que já não há interesse em desenvolver grandes usinas solares e atribui essa situação à falta de espaço. Em sua avaliação, comprar o campo de golfe para aproveitar o terreno foi a alternativa que restou à construtora.

As contas do clube ajudam a explicar o interesse pela mudança de atividade. Mesmo cobrando ¥ 5 mil, equivalentes a US$ 31,87, por um dia inteiro de jogo, o Minohara não consegue atrair clientes suficientes. Segundo Toya, o prejuízo supera ¥ 2 milhões por ano.

O clube permanece aberto durante a preparação do empreendimento. Apenas as avaliações ambientais e as demais etapas de planejamento podem consumir até quatro anos. A previsão é encerrar as atividades do campo em 2030, quando a construção da usina deve começar.

Espaço disponível não garante que uma usina saia do papel

Para Andrew Chapman, professor da Universidade de Kyushu, o principal desafio dos incorporadores é localizar áreas onde seja efetivamente possível construir. Ele estima que o conjunto dos terrenos tecnicamente adequados à geração solar e eólica poderia produzir 14 vezes a eletricidade consumida pelo Japão em um ano.

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Foto: Foto: reprodução

Esse potencial, porém, não significa que todos os projetos sejam viáveis. As usinas precisam reunir boa insolação, conexão com a rede elétrica e distância razoável de áreas residenciais — condições presentes em muitos campos de golfe.

A EDP, que colocou recentemente em operação uma usina em um antigo campo na província de Fukushima, afirma que esses terrenos permitem desenvolver grandes projetos sem a necessidade de derrubar extensas áreas de árvores.

A resistência local continua sendo outro entrave às grandes instalações solares. Comunidades manifestam preocupação com desmatamento, deslizamentos e alterações na paisagem. A primeira-ministra Sanae Takaichi também se posicionou contra projetos desse tipo.

Expansão perdeu ritmo, mas projeção para 2040 exige avanço

A instalação de painéis solares ganhou impulso no Japão depois do desastre nuclear de Fukushima, em 2011, que levou ao desligamento dos 54 reatores do país. O governo passou então a garantir a compra de eletricidade renovável a preços atraentes para os investidores.

A expansão alcançou seu ponto máximo em 2015 e desacelerou conforme os incentivos foram reduzidos. Essa perda de ritmo dificulta os planos governamentais: a projeção oficial prevê que a energia solar responda por 23% a 29% da eletricidade até 2040, frente aos 9,8% registrados no ano fiscal de 2023.

Embora os antigos campos de golfe permaneçam entre as alternativas mais viáveis para grandes usinas, sua disponibilidade é limitada. A incorporadora Renova já passou a investir em instalações menores em terras agrícolas abandonadas.

O governo também destina investimentos a células solares de perovskita. No futuro, essa tecnologia poderia ocupar telhados, paredes e outras superfícies que não comportam painéis convencionais, mas sua adoção em larga escala ainda está distante.

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