Walmart enfrenta falhas e custos maiores em automação bilionária de depósitos

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoMercado Financeiro5 minutos atrás6 Visualizações

O Walmart enfrenta falhas em robôs, adaptações de embalagens e aumento de algumas despesas em seu projeto bilionário de automação de depósitos nos Estados Unidos, iniciado há cerca de uma década. A transformação está em andamento na maior parte das aproximadamente 200 instalações de distribuição e logística da companhia no país. Embora os executivos esperem reduzir custos e acelerar o abastecimento, a implantação exige reformar estruturas sem interromper as operações.

A empresa prevê que os gastos com reformas de lojas e automação da cadeia de suprimentos alcancem seu ponto mais alto em 2026 e 2027. Entre os obstáculos estão caixas incompatíveis com os equipamentos, robôs que precisam de manutenção com frequência excessiva e sistemas incapazes de processar determinados produtos volumosos, como grandes sacos de ração para cães.

“Estamos meio que no pico da complexidade”, afirmou Rob Montgomery, responsável pelas operações da cadeia de suprimentos do Walmart nos Estados Unidos e pela supervisão da transição. Para ele, uma das principais dificuldades é executar a mudança enquanto os depósitos continuam trabalhando.

A economia esperada convive com despesas maiores

Os executivos do Walmart afirmam que a automação permitirá movimentar um volume maior de mercadorias com mais velocidade e precisão, diminuindo custos e a ocorrência de produtos em falta nas prateleiras. Parte dessa economia depende, porém, de objetivos que ainda não foram plenamente alcançados.

Ao mesmo tempo, algumas despesas já aumentaram. Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, a conta mensal de eletricidade das instalações automatizadas de alimentos pode atingir US$ 800 mil ou mais nos meses que exigem maior refrigeração ou aquecimento. Quando essas operações dependiam mais de trabalho manual, o gasto ficava em cerca de US$ 250 mil por mês.

Também custa mais contratar os engenheiros mecânicos e elétricos necessários para operar essas instalações do que os trabalhadores dos depósitos sem qualificação especializada.

Outro gasto adicional vem da troca das caixas de papelão usadas no transporte de muitos produtos entre depósitos e lojas. O modelo empregado há mais de duas décadas é grande demais para os sistemas automatizados. Essas caixas têm uma inscrição que informa seu custo médio de US$ 1 para a companhia e pede que sejam reutilizadas. O Walmart pretende descartar todas elas nos meses seguintes.

As substitutas são aproximadamente 3,8 centímetros mais baixas e precisam ser fechadas com fita adesiva, acrescentando uma etapa e elevando os custos. Montgomery afirma, contudo, que elas reduzirão o tempo de abastecimento das lojas e, por consequência, as despesas com mão de obra.

Phillip McIlrath, gerente de um depósito de roupas em Indiana que já utiliza as novas embalagens, descreveu a alteração como pequena, mas ressaltou que ela modifica bastante a rotina diária dos funcionários que executam o trabalho.

Concorrência aumenta a pressão por automação

As dificuldades não se limitam ao Walmart. Grandes varejistas dos Estados Unidos procuram ampliar vendas e entregar compras mais rapidamente nas casas dos consumidores sem elevar demais os gastos com contratação de pessoal ou construção de instalações.

O crescimento da Amazon, que está à frente dos concorrentes do varejo na automação, tornou essa transformação mais urgente. No início de 2026, a companhia ultrapassou o Walmart e passou a ser a maior empresa dos Estados Unidos em receita anual.

Rueben Scriven, gerente sênior de pesquisa sobre automação de depósitos da empresa de inteligência de mercado Interact Analysis, comparou esses investimentos a uma “corrida armamentista” entre varejistas. Segundo ele, o efeito da Amazon é o grande fator que pesa sobre essa disputa.

Redes que não dispõem de capital para sustentar investimentos elevados durante um período prolongado de ajustes e correções ficam em desvantagem. A experiência da Kroger mostra as dificuldades financeiras dessa transição: no outono de 2025 nos Estados Unidos, a rede de supermercados informou que contabilizaria uma despesa de US$ 2,6 bilhões para encerrar três centros automatizados de processamento de pedidos de comércio eletrônico.

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Foto: Foto: reprodução

A Kroger tomou a decisão porque sua rede automatizada não alcançou as expectativas financeiras. A empresa afirmou que utilizaria as lojas com maior frequência para atender às compras on-line e concentraria seus esforços em projetos de automação que exigissem menos capital.

Uma rede de 5.200 lojas exige sistemas diferentes

A estrutura logística do Walmart abastece 5.200 lojas nos Estados Unidos, que comercializam produtos tão variados quanto alimentos, roupas e pneus, nas unidades físicas e pela internet. Montgomery afirma que o sistema precisa aceitar praticamente qualquer mercadoria, de qualquer fornecedor e a qualquer momento — uma exigência que tem sido difícil de atender.

Muitos itens não perecíveis chegam primeiro a depósitos que reúnem os carregamentos dos fornecedores e depois seguem para 42 centros de distribuição. Alimentos refrigerados e congelados passam por dezenas de depósitos separados. Outras instalações atendem a muitos dos pedidos de comércio eletrônico da companhia no país, assim como as áreas de armazenamento nos fundos das lojas.

A maior parte das instalações da cadeia de suprimentos foi erguida nas décadas de 1980 e 1990. Por isso, cerca de 80% dos projetos de automação consistem na adaptação de estruturas existentes. A companhia também construiu do zero vários depósitos automatizados para alimentos e comércio eletrônico.

Não há um único sistema para todas essas operações. Diferentes equipamentos, muitas vezes desenvolvidos por empresas distintas, são necessários para movimentar caixas completas enviadas por fornecedores, retirar produtos individuais das embalagens, trabalhar com alimentos frescos e congelados ou processar pedidos on-line.

Uma das tarefas que mais desafiaram a implantação é o breakpack: abrir caixas de papelão e retirar produtos para enviá-los individualmente. Simples para os funcionários, essa atividade se tornou um dos obstáculos da automação.

O Walmart e as empresas de robótica contratadas buscaram, sem sucesso, uma forma de coordenar robôs que separassem mercadorias em compartimentos enquanto se deslocavam rapidamente pelos depósitos e desviavam dos trabalhadores. Algumas tecnologias testadas não funcionavam; outras eram caras demais.

A solução desenvolvida posteriormente utiliza pequenos robôs sobre rodas, com sensores de movimento e de obstáculos. Esses equipamentos estão sendo instalados em mais de uma dezena de depósitos.

Parceria com a Symbotic enfrenta falhas e limites de velocidade

O Walmart começou a experimentar versões dos sistemas automatizados há mais de dez anos. Muitos testes ocorreram em um depósito de aproximadamente 149 mil metros quadrados em Brooksville, na Flórida, dedicado a produtos não perecíveis.

Os sistemas são fabricados pela Symbotic, sediada em Wilmington, Massachusetts. O Walmart possui uma participação de 12,6% na empresa. A dificuldade de desenvolver uma solução suficientemente eficiente para outras unidades levou as duas companhias a retirar uma versão do sistema de Brooksville em 2019 e reconstruí-la do zero.

Nesse modelo, as mercadorias ficam em estruturas metálicas abertas que se estendem do piso ao teto. Robôs levam os produtos das áreas de descarga de caminhões até as estantes. Outros equipamentos, dotados de braços mecânicos, montam paletes de cerca de três metros de altura, posteriormente embarcados em caminhões para as lojas.

Segundo pessoas familiarizadas com a situação, a Symbotic tem enfrentado dificuldades para cumprir as metas do Walmart, sobretudo as de throughput, ou capacidade de processamento: a velocidade com que as mercadorias percorrem o sistema.

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Para identificar e solucionar falhas rapidamente, a Symbotic acompanha o desempenho dos equipamentos em um painel eletrônico em sua sede, em Massachusetts. Rick Cohen, presidente-executivo da empresa, afirmou em comunicado enviado por e-mail que automatizar os depósitos do Walmart demanda tempo, trabalho árduo e uma parceria sólida, sustentada pela confiança.

A frequência de quebras e de manutenção dos robôs que transportam produtos continua sendo um problema. Até o acúmulo de poeira pode prejudicar os equipamentos, e as interrupções podem provocar uma sequência de outras dificuldades, de acordo com pessoas familiarizadas com a situação.

Um porta-voz da Symbotic afirmou que, em 2025, menos de 10% dos robôs precisavam de reparos em um determinado momento. Nos últimos meses, segundo ele, essa proporção caiu para aproximadamente 5%.

Abastecimento mais previsível ainda depende de avanços

Desde o início do projeto, uma das metas centrais do Walmart é montar paletes bem organizados, firmemente embalados e com os produtos na sequência exata em que serão retirados nas lojas. A expectativa é reduzir o trabalho necessário para abastecer as prateleiras e os custos com mão de obra.

Executivos do Walmart e da Symbotic afirmam que houve progresso, mas reconhecem que esse objetivo ainda não foi atingido. Montgomery prevê que a montagem dos paletes, comparável a encaixar peças em um jogo de Tetris, ficará mais precisa à medida que o volume de produtos nos depósitos automatizados crescer, pois o software terá mais itens entre os quais escolher.

No cenário idealizado pela companhia, caminhões chegariam às lojas em intervalos regulares e previsíveis, com paletes contendo os produtos necessários naquele momento. Cada carga poderia ser levada diretamente a um único corredor, com as mercadorias já dispostas na ordem de reposição nas prateleiras. Isso também permitiria escalas de trabalho mais precisas e previsíveis.

Trabalho muda, mas empresa não prevê demissões

Há anos, o Walmart depende de mais de 140 mil trabalhadores em seus depósitos. Eles descarregam caminhões, usam empilhadeiras para movimentar paletes, separam produtos e os armazenam em grandes estantes. Depois, fazem o percurso inverso para enviar as mercadorias às lojas e às casas dos consumidores. Um funcionário pode caminhar 20 mil passos em um único turno.

A implantação dos sistemas automatizados já criou postos voltados à operação de robôs e softwares. Segundo os executivos, com o avanço do projeto a companhia acabará necessitando de menos funcionários nos depósitos, e os empregos restantes deverão se concentrar mais na operação e manutenção dos equipamentos do que no levantamento e transporte de caixas.

Os mesmos executivos afirmam que a elevada rotatividade desses empregos permitirá realizar a transição sem demissões. Montgomery ressalta que ainda são necessárias pessoas para descarregar carretas e que o crescimento das vendas pode exigir, no total, tantos trabalhadores nos depósitos quanto atualmente.

No início de 2026, o Walmart estava atrasado em relação às metas de automação apresentadas em 2023, durante uma visita de investidores e jornalistas ao depósito de testes de Brooksville, na Flórida. O acordo anunciado pela Symbotic em 2022 prevê levar seus sistemas a todos os 42 depósitos de produtos não perecíveis até aproximadamente 2030.

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