
A Apple esgotou rapidamente o estoque limitado do iPhone Duo disponível em suas lojas após a estreia do aparelho dobrável na sexta-feira. Com preços que vão de US$ 1.999 na versão de 256 gigabytes a US$ 3.199 na de 2 terabytes, o lançamento atraiu filas e sinalizou forte demanda, apesar das dúvidas sobre a disposição dos consumidores para pagar por um dos smartphones convencionais mais caros já vendidos.
O Duo é a maior mudança no design do iPhone em quase duas décadas e uma aposta da Apple para ganhar espaço em uma categoria que permaneceu restrita a um nicho. A linha iPhone responde por cerca de metade do faturamento da companhia e é sua principal fonte de receita. Embora tenha chegado depois de outras fabricantes ao mercado de dobráveis, a empresa espera conquistar seus fãs com um produto mais refinado.
A procura inicial contrasta com a estreia pouco expressiva do headset Vision Pro, quase três anos antes, e remete aos primeiros lançamentos do iPhone, quando a demanda superava amplamente a oferta. Desta vez, porém, a disponibilidade também é limitada pelas dificuldades de fabricação do novo aparelho.
Nos Estados Unidos, as lojas da Apple receberam cerca de 50 unidades do Duo cada uma, chegando a pouco mais de 200 em alguns casos. Os estoques acabaram rapidamente. Em uma unidade de Los Angeles, quem chegou depois de aproximadamente 6h30 já não encontrou aparelhos disponíveis. A versão branco estelar com 256 gigabytes, vendida por US$ 1.999, esteve entre as mais procuradas.
Na loja de Lawrence Township, em Nova Jersey, a cerca de 64 quilômetros da Filadélfia, as versões de 256 e 512 gigabytes se esgotaram na primeira meia hora. Depois disso, restaram os modelos mais caros, com 1 e 2 terabytes de armazenamento.
Para novos pedidos feitos pelo site da Apple, a previsão de entrega é o fim de janeiro. Alguns clientes, entretanto, viram o prazo ser antecipado para novembro ou dezembro. A espera está entre as mais longas para um lançamento da empresa em sua história recente.
Essa situação difere da observada nos últimos anos, quando as grandes filas de lançamento praticamente desapareceram. Apple, varejistas e operadoras passaram a oferecer estoque suficiente para atender à maioria dos pedidos, com entrega em casa ou retirada na loja em horário marcado. O primeiro dobrável da companhia chegou com disponibilidade bem menor.
A dobradiça avançada e a nova tecnologia de tela tornam os novos celulares difíceis de produzir. A fabricação do Duo ocorre na China, em quantidade limitada. Já a produção dos iPhones tradicionais foi ampliada pela Apple nos últimos anos, inclusive na Índia, o que ajudou a abastecer o mercado.
O preço do Duo estabelece um recorde para um smartphone de grande circulação, mas a alta não se restringe à Apple. Concorrentes como Samsung Electronics, Xiaomi e Oppo também vêm aumentando seus preços. A escassez de chips de memória e de outros componentes encareceu os eletrônicos de consumo de maneira generalizada.
Mesmo com o custo elevado, muitos consumidores em Pequim e Singapura deram mais importância à promessa de um produto realmente novo da Apple, depois de anos de atualizações incrementais. Entre os primeiros compradores, havia clientes que retiravam encomendas antecipadas, pessoas em busca das poucas unidades para venda imediata e revendedores interessados em cobrar preços mais altos pelos aparelhos.
O lançamento mobilizou consumidores de Nova York a Pequim e Singapura, incluindo pessoas que passaram a noite na fila. Na loja da Quinta Avenida, em Nova York, a espera já ocupava vários quarteirões às 5h, três horas antes da abertura para os clientes do Duo.
Greg Joswiak, vice-presidente sênior de marketing da Apple, e Vanessa Trigub, vice-presidente responsável pelas lojas, participaram do lançamento nessa unidade. Em Austin, os clientes da loja do Domain Northside foram recebidos por John Ternus, novo presidente-executivo da companhia, que assumiu o cargo no mês anterior.

Em Singapura, algumas centenas de pessoas formaram fila na manhã de sexta-feira. Uma família de sete pessoas de Mianmar estava entre os consumidores que passaram a noite no local.
Peter Ingram, diretor de tecnologia que estava de passagem pela cidade, vindo de Londres, classificou o Duo como a primeira inovação de verdade da Apple em anos. Ele pretende comprar o aparelho quando voltar ao Reino Unido. Embora considere o preço alto, disse ter ficado impressionado ao testar o celular na loja, especialmente pela ausência de vinco na tela.
Na China, o movimento foi moderado em Xangai e Pequim. A maioria dos compradores já era cliente fiel da Apple e demonstrava entusiasmo para experimentar o novo design. Muitos tiveram de fazer um cadastro antecipado para garantir uma unidade.
Os relatos dos consumidores combinaram interesse pelo formato com dúvidas sobre aspectos do aparelho. Em Lawrence Township, Victor Osorio disse que os dobráveis não são novidade, mas que a Apple costuma dar um toque diferente aos produtos. Sua preocupação principal não era o formato, e sim a dobradiça: ele não queria que o mecanismo atrapalhasse o uso, embora sua impressão inicial fosse positiva.
Osorio chegou cedo à loja com a companheira, Victoria, que também comprou o Duo. Ela afirmou estar interessada nos recursos de multitarefa do aparelho.
Na mesma unidade, Naveed Abubacker contou que troca de iPhone todos os anos. Para ele, a Apple chegou atrasada à tecnologia dobrável, mas isso não diminuiu sua disposição para testar o produto. “Se não funcionar para mim, vou devolver”, afirmou.
Já Andy Shen, que estava na loja de Sanlitun, em Pequim, disse que precisaria se acostumar ao novo celular. Sua principal motivação foi a possibilidade de abrir o aparelho e usar uma tela maior para assistir a vídeos. Ele, porém, avaliou que outros recursos, como a câmera, não estão à altura dos modelos anteriores.
A Apple divulgará seus resultados trimestrais em 2 de novembro, mas o balanço não incluirá as vendas do Duo. O período contábil terminou por volta do fim de setembro, antes da chegada do dobrável às lojas.
Os números refletirão as vendas iniciais do iPhone 18 Pro e do Pro Max, lançados em 18 de setembro.
Segundo a Bloomberg News, outras versões, como o iPhone de entrada e o Air atualizado, chegarão às lojas apenas no ano seguinte. A alteração no calendário habitual de lançamentos busca distribuir melhor a receita da Apple ao longo do ano.
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