
A ABCripto e a organização sem fins lucrativos Juntos por Cripto uniram forças para ampliar a educação de reguladores sobre o mercado de ativos digitais, com foco no Congresso Nacional. A parceria foi anunciada por Julia Rosin, presidente da ABCripto, durante a abertura do Blockchain.RIO 2026, realizado de 11 a 13 de agosto, no Rio de Janeiro.
O painel de abertura reuniu reguladores e autoridades do Brasil, do Uruguai e de El Salvador para discutir os efeitos de uma regulação considerada adequada para o mercado de criptoativos. O evento também contou com representantes dos bancos centrais do Peru e de El Salvador, além da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), da Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac) e do secretário de tecnologia do Rio de Janeiro.
Na avaliação de Julia Rosin, os próximos quatro anos serão essenciais para a evolução do setor. A presidente da ABCripto afirmou que 2026 é um ano decisivo para o mercado de criptoativos e declarou que o Congresso Nacional pode ter papel central na consolidação das stablecoins, categoria de ativos digitais abordada no debate regulatório.
“Quem realmente pode ajudar a consolidar o mercado de stablecoins é o Congresso Nacional. Não o Banco Central, nem a CVM. E já estamos em conversa com eles. Os próximos quatro anos podem dar uma nova cara para o setor”, afirmou Julia.
A executiva também classificou como principal marco de 2026 a regulação das prestadoras de serviços em ativos virtuais, conhecidas pela sigla PSAVs, que entra em vigor em outubro. O material não detalha quais regras serão aplicadas, mas registra que a medida foi destacada como um dos pontos centrais para o setor.
Julia Rosin declarou ainda que o grupo de estudos formado em conjunto com a CVM já está produzindo resultados. Segundo ela, existe um grupo de trabalho dedicado à tokenização, processo relacionado à representação de ativos por meio de registros digitais, com foco em como realizar essa operação com segurança e em outros temas do mercado.
“A CVM tem metas bem ousadas para este ano”, afirmou a presidente da ABCripto. Na avaliação dela, a regulação deve pavimentar o caminho para o desenvolvimento da indústria, desde que as regras sejam inteligentes e estejam de acordo com as necessidades do mercado.
Durante o painel, as autoridades também defenderam a educação do setor público sobre a tecnologia blockchain e a necessidade de estabelecer uma definição para cada componente do mercado. Rodrigoh Henriques, diretor de Inovação e Estratégia do Instituto Fenasbac, resumiu a questão da seguinte forma: “Educar os reguladores é o primeiro passo”.
Juan Carlos Reyes, presidente da Commision Nacional de Activos Digitales de El Salvador, afirmou que o tamanho da indústria é uma das principais diferenças entre o Brasil e o país centro-americano.
Segundo Reyes, El Salvador, por ser um país pequeno, conseguiu implementar regras com relativa rapidez. O Brasil, por ter uma grande economia, precisaria ser cauteloso no processo. Ele também avaliou que o setor brasileiro ainda não está unificado o suficiente para apresentar uma única solicitação ao governo.
Reyes afirmou que ainda há muita criptomoeda no mercado e muita centralização. De acordo com sua avaliação, o setor financeiro tradicional está concentrado na adoção da tokenização por meio da tecnologia blockchain.
Para o presidente da autoridade salvadorenha, os participantes que tiverem mais recursos, conseguirem se organizar mais rapidamente e apresentarem uma proposta que o governo possa supervisionar e regular serão os que prevalecerão. Ele classificou o mercado como muito segregado e afirmou que o setor ainda não alcançou a maturidade necessária para exigir uma supervisão adequada.
O Blockchain.RIO é apresentado como uma das principais plataformas latino-americanas dedicadas ao debate sobre blockchain e infraestrutura financeira digital. O evento reúne representantes do setor público, reguladores, instituições financeiras, empresas de tecnologia e especialistas para discutir a modernização dos sistemas financeiros e o desenvolvimento da economia digital.
A abertura da edição de 2026 aproximou autoridades brasileiras e representantes de outros países para o compartilhamento de experiências regulatórias, avanços tecnológicos e perspectivas para o mercado de ativos digitais. A programação também reforça a cooperação internacional na construção de um ambiente voltado à inovação.
Além de blockchain, tokenização, stablecoins, ativos digitais e regulação, a plataforma promove discussões sobre infraestrutura financeira digital. Por meio de eventos, fóruns executivos, iniciativas de conteúdo e articulação institucional, conecta bancos centrais, instituições financeiras, empresas de tecnologia, provedores de infraestrutura, exchanges, asset managers, investidores, formuladores de políticas públicas e lideranças globais.
A edição de 2026 tem agenda formada pelo Financial Infrastructure Forum – LATAM, pelo Blockchain Leaders e pelo Blockchain.RIO Main Event, além de experiências institucionais e eventos paralelos. A programação foi desenhada para ampliar o diálogo entre o setor público, a iniciativa privada e o ecossistema de inovação, fortalecendo o papel do Brasil e da América Latina na construção da próxima geração da infraestrutura financeira global.
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