Alta nos DIs reforça aposta de fim dos cortes na Selic e leva juros futuros ao maior nível em 14 meses

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções1 hora atrás7 Visualizações

As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a sexta-feira (5) em forte alta. Nos vértices de médio e longo prazos, o salto chegou a 44 pontos-base, empurrando a curva ao nível mais elevado desde abril do ano passado.

Mercado zera apostas de novos cortes na Selic

No fim da tarde, 68% das negociações na B3 indicavam manutenção da Selic em 14,50% na próxima reunião do Copom, em 17 de junho. É a primeira vez desde março que a parada no ciclo de cortes volta a ser a aposta dominante.

A taxa para janeiro/2029 terminou a 14,810% (alta de 43,5 pts). Já o contrato para janeiro/2036 subiu para 14,695% (+34 pts). Mesmo o DI mais curto, para janeiro/2027, avançou 15,5 pts, fechando a 14,430% ao ano.

Payroll forte reacende sinal de alta nos juros dos EUA

O gatilho veio de fora: o relatório de emprego norte-americano (payroll) mostrou criação de 172 mil vagas em maio, quase o dobro do consenso. Com isso, os rendimentos (yields) dos Treasuries saltaram — o título de dois anos foi a 4,147%, e o de dez anos, a 4,532%.

A ferramenta FedWatch passou a indicar 52,2% de chance de o Federal Reserve elevar o juro básico em outubro. A perspectiva de aperto no maior mercado de capitais do mundo pressiona moedas emergentes, como o real, e dificulta cortes adicionais da Selic.

Impacto prático para o investidor

  • Renda fixa: títulos atrelados ao CDI ou ao Tesouro Selic tendem a continuar pagando taxas elevadas pelo prolongamento dos juros altos.
  • Bolsa: empresas sensíveis ao custo financeiro, como varejistas e construtoras, podem ver o custo de capital seguir pressionado.
  • Dólar: expectativa de juros mais altos nos EUA costuma atrair recursos para lá, o que enfraquece o real e pode elevar a cotação da moeda americana.
  • Inflação: juros altos ajudam a conter preços, mas também encarecem crédito e podem frear o crescimento.

Movimentos recentes do setor financeiro

A revisão feita hoje pelo Bank of America, que elevou a projeção da Selic de 13,25% para 14,25% ao fim de 2026, fortaleceu a percepção de que o afrouxamento monetário ficará em pausa prolongada.

No mercado de opções de Copom, a expectativa de corte de 0,25 ponto caiu de 71% para 53,1% desde terça (2), enquanto a aposta de estabilidade quase dobrou.

Glossário rápido

  • DI (Depósito Interfinanceiro): contratos negociados na B3 que refletem a expectativa para a taxa de juros diária entre bancos. Servem de referência para diversos investimentos em renda fixa.
  • Curva de juros: gráfico que mostra as taxas esperadas para diferentes prazos. Quando sobe, indica que o mercado prevê juros maiores no futuro.
  • Treasuries: títulos do governo dos EUA. Seus rendimentos balizam o custo de capital global.
  • Payroll: relatório mensal de emprego dos EUA. Surpresas positivas sugerem economia aquecida e podem levar o Fed a subir juros.

A combinação de dados robustos nos EUA, câmbio pressionado e inflação resistente trouxe de volta um cenário de juros elevados por mais tempo no Brasil. Para o investidor, o momento pede atenção redobrada ao impacto das taxas sobre diferentes classes de ativos.

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