Ambipar mantém análise contábil sob sigilo antes de assembleia de credores

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoMercado Financeiro16 horas atrás9 Visualizações

A Ambipar manterá sob sigilo a análise contábil relacionada à sua recuperação judicial às vésperas da Assembleia Geral de Credores (AGC), marcada para esta segunda-feira, 25 de agosto. O documento reúne demonstrações financeiras, indicadores de desempenho, projeções e fluxo de caixa.

O material poderá ser consultado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e por credores que fizerem uma solicitação administrativa à administração judicial. A assembleia será realizada em formato híbrido, com participação presencial no Rio de Janeiro e opção virtual.

A restrição de acesso ocorre em meio à pressão de credores financeiros. O agente fiduciário Oliveira Trust e o banco Sumitomo pediram o adiamento da AGC, argumentando que não há visibilidade suficiente sobre os balanços recentes da companhia. Até a divulgação do 10º Relatório Mensal de Atividades, em 21 de agosto, a assembleia permanecia mantida.

Atrasos dificultam análise financeira da companhia

O relatório aponta que a Ambipar está atrasada na divulgação de informações financeiras obrigatórias. O último ITR, formulário trimestral entregue à CVM, tem como data-base junho de 2025.

As demonstrações anuais de 2025 e os resultados trimestrais de 2026 foram adiados mais de uma vez. Em 14 de agosto, a empresa informou um novo atraso, mas não indicou uma nova data para divulgar os dados.

A situação também envolve a auditoria independente da holding. A Deloitte deixou de atuar como auditora da Ambipar, enquanto as demais empresas em recuperação são auditadas pela BDO. De acordo com a administração judicial, a controladora está substituindo a auditoria, mas ainda não há definição sobre quem revisará as demonstrações financeiras de 2025 e os relatórios trimestrais pendentes.

A administração judicial afirma que o sigilo tem o objetivo de preservar informações sensíveis de uma companhia aberta, sujeita às regras do mercado de capitais. O próprio relatório, porém, reconhece que os dados são necessários para que os credores avaliem a situação econômico-financeira do grupo e tomem uma decisão informada sobre o plano de recuperação.

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Foto: Foto: reprodução

Assembleia deve discutir mudanças no plano

A AGC deverá analisar o plano de recuperação apresentado pela Ambipar e eventuais alterações. O documento da administração judicial afirma que o acordo de apoio à reestruturação firmado com uma parcela majoritária dos detentores de green bonds com vencimentos em 2031 e 2033 deverá resultar em mudanças no plano.

Pedido de falência e processo nos Estados Unidos

Em outra frente, a Ambipar contesta na Justiça do Rio de Janeiro um pedido de falência apresentado pela Addiante, locadora de caminhões. A cobrança envolve uma dívida extraconcursal de R$ 187,7 milhões.

A companhia questiona a cobrança e afirma haver controvérsias sobre o contrato, que previa pagamentos entre novembro de 2025 e junho de 2026. Segundo a administração judicial, a Ambipar também ajuizou uma ação revisional e pediu a suspensão do processo de falência até o julgamento do caso.

No exterior, a Ambipar Emergency Response continua em processo de Chapter 11 nos Estados Unidos. A administração judicial registra que não há comunicação formal, no processo brasileiro, sobre um pedido de reconhecimento recíproco entre os dois procedimentos, como um Chapter 15 nos Estados Unidos.

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