
A Americanas anunciou ao mercado, na noite de segunda-feira, 19 de outubro de 2026, que a Justiça do Rio de Janeiro decretou o encerramento de sua recuperação judicial. O processo começou em janeiro de 2023, após a revelação de uma fraude contábil superior a R$ 20 bilhões. A decisão também alcança as subsidiárias B2W Digital Lux, JSM Global e ST Importações e ainda está sujeita a recursos.
O encerramento representa uma etapa relevante, mas não definitiva, para a varejista, quase quatro anos depois do início de uma das maiores crises corporativas do Brasil. A saída da recuperação judicial não garante a retomada do crescimento nem encerra os desdobramentos da fraude em outras frentes.
A 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro entendeu que a companhia cumpriu todas as obrigações do plano de recuperação com vencimento nos dois anos seguintes à sua homologação, ocorrida em fevereiro de 2024.
O juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira assinou a sentença após pareceres favoráveis da administração judicial e do Ministério Público do Rio de Janeiro. A Justiça determinou também que o Registro Público de Empresas e a Receita Federal sejam comunicados para retirar a expressão “em recuperação judicial” dos registros das empresas do grupo.
O plano havia sido aprovado pelos credores e homologado em 26 de fevereiro de 2024. Em março de 2026, a Americanas solicitou o encerramento do processo, sob o argumento de que havia cumprido as obrigações previstas para o período de dois anos.

A decisão judicial não elimina os desafios da operação. A Americanas ainda precisa demonstrar que consegue se sustentar sem as manipulações contábeis que desencadearam a crise.
A rede também enfrenta dificuldades compartilhadas por outras varejistas: a disputa pelo consumo com gigantes do comércio eletrônico e um ambiente de endividamento recorde e juros elevados na economia brasileira. Por isso, o encerramento do processo não deve ser confundido com uma garantia de recuperação do crescimento.
Fundada em 1929, a companhia entrou em recuperação judicial no começo de 2023, depois da descoberta das fraudes que deram origem a um dos maiores escândalos corporativos do país. Seus acionistas de referência são os bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira.
Uma das outras frentes envolve os acionistas minoritários. Em julho de 2026, a Câmara de Arbitragem do Mercado, da B3, extinguiu um procedimento iniciado por esses investidores em 2023, em decorrência da fraude contábil revelada em janeiro daquele ano.

O encerramento ocorreu porque os requerentes desistiram dos pedidos. Com a desistência, eles também ficaram obrigados a reembolsar a Americanas pelas despesas do processo.
O Instituto Empresa, representante de parte dos minoritários, ressaltou, porém, que outra arbitragem havia sido instaurada em janeiro de 2026 para discutir a responsabilização dos controladores da varejista. Na ocasião, a entidade classificou como “seletiva” a comunicação da Americanas ao mercado por não mencionar a existência do novo procedimento.
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