Processos da ANPD contra Claro e Serasa acendem alerta de governança para investidores

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro2 horas atrás7 Visualizações

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) iniciou processos separados contra a operadora Claro e a empresa de análise de crédito Serasa Experian. O órgão suspeita de infrações à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em uma parceria firmada em 2021 para o intercâmbio de informações de clientes.

O que está em jogo

  • Escopo dos dados: segundo a ANPD, a Claro teria enviado 106 metadados diferentes, incluindo CEP, consumo de pay-per-view e uso de dados móveis.
  • Consentimento: a agência questiona a ausência de autorização explícita dos clientes para a troca de informações.
  • Possíveis sanções: a Claro responde já a um processo sancionador que pode resultar em multa de até 2% do faturamento ou R$ 50 milhões por infração. A Serasa está, por ora, em fase de fiscalização.

Por que isso importa para o investidor

Casos de descumprimento da LGPD costumam repercutir em três frentes que afetam o valor de mercado das companhias:

  • Multas e provisões: penalidades impactam fluxo de caixa e margens.
  • Reputação: falhas de governança podem levar a revisões de rating ESG, indicador cada vez mais observado em carteiras de fundos e ETFs.
  • Regulação: o aumento do escrutínio regulatório tende a elevar custos de compliance em setores intensivos em dados, como telecomunicações e serviços financeiros.

No Brasil, a Claro pertence ao grupo mexicano América Móvil, cujos BDRs (AMXB34) são negociados na B3. Já a Serasa é controlada pela britânica Experian plc, listada em Londres (EXPN). Embora não haja números divulgados sobre eventual impacto financeiro, a mera abertura de processo costuma adicionar prêmio de risco às ações das controladoras, sobretudo em períodos de maior aversão a ativos de tecnologia e telecom.

Entenda a parceria investigada

  • Firmada em 2021 após aval do Cade, com duração de 30 meses.
  • A Claro forneceria dados para a Serasa criar novos serviços de crédito.
  • Segundo a Claro, as informações teriam sido usadas apenas para estudos internos e não foram embarcadas em produtos oferecidos ao mercado.
  • Ambas as empresas negam irregularidades e dizem cumprir integralmente a LGPD.

Próximos passos do processo

  • As empresas já foram notificadas e apresentarão defesa à Superintendência de Fiscalização.
  • Se a decisão for desfavorável, caberá recurso ao Conselho Diretor da ANPD.
  • No caso da Serasa, a ANPD ainda decide se avança da fase de fiscalização para uma etapa sancionadora.

Ligação com o cenário macro

O tema de proteção de dados ganha relevância num momento em que o Banco Central explora inovações como Pix e Open Finance, aumentando o volume de dados trafegados no sistema financeiro. Investidores monitoram como empresas se adaptam às regras de privacidade, pois gastos inesperados com tecnologia e auditorias podem pressionar resultados — especialmente em um ciclo de Selic ainda elevada, que encarece o custo do capital.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Para o investidor iniciante, o episódio reforça a importância de acompanhar não só indicadores tradicionais (receita, lucro, endividamento), mas também aspectos de governança que podem gerar volatilidade fora do radar contábil.

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