
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) revogou a restrição que impedia a Shopee de anunciar e comercializar medicamentos no Brasil. A decisão, publicada em resolução nesta semana, abre caminho para que farmácias e drogarias licenciadas usem a plataforma para vender e entregar esses produtos, mas não libera a comercialização por qualquer vendedor.
O ato derrubou uma medida preventiva imposta em 2022 à SHPS Tecnologia e Serviços, empresa responsável pela operação da Shopee no país. Com isso, deixa de existir a proibição genérica específica contra o marketplace no mercado de medicamentos.
A mudança não altera a exigência de que os medicamentos sejam comercializados por farmácias e drogarias regularmente licenciadas. As operações também precisam cumprir integralmente as regras sanitárias da Anvisa.
A Shopee permanece sujeita à fiscalização do órgão, inclusive para a retirada de anúncios e produtos irregulares. Em março, a própria Anvisa havia proibido especificamente na plataforma a venda de produtos identificados como sem registro ou com indícios de falsificação.
Assim, a decisão desta semana elimina a vedação geral que impedia a participação da Shopee nesse mercado, mas não suspende a fiscalização nem autoriza a venda de produtos fora das exigências sanitárias.
A decisão da Anvisa ocorre após a sanção, em março, da Lei nº 15.357, que alterou uma legislação com mais de cinco décadas sobre o comércio de medicamentos no país.
Entre as mudanças, a nova lei passou a permitir expressamente que farmácias e drogarias licenciadas contratem canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para fazer a logística e a entrega de medicamentos aos consumidores, desde que todas as regras sanitárias sejam cumpridas.
A legislação também abriu a possibilidade de venda de medicamentos em supermercados, como ocorreu recentemente com a rede de atacarejos Assaí. Para isso, o estabelecimento precisa instalar uma farmácia ou drogaria em espaço delimitado e separado das demais áreas da loja, com farmacêutico presente durante todo o horário de funcionamento.

A exposição de medicamentos em gôndolas externas a esse espaço continua proibida.
A Shopee já mantém uma área dedicada a produtos de farmácia, incluindo uma seção para medicamentos isentos de prescrição. A empresa ainda não informou publicamente se pretende ampliar essa operação após a decisão da Anvisa nem, em caso positivo, quando isso ocorreria.
O Mercado Livre também começou a avançar nesse segmento. No fim de março, a companhia lançou em São Paulo um projeto-piloto para a venda de medicamentos de venda livre, inicialmente em alguns bairros da capital.
A operação ocorreu depois da aquisição da Farmácia Cuidamos, em 2025, o que permitiu que os pedidos fossem despachados por uma farmácia licenciada. O Mercado Livre já informou que avalia evoluir o serviço para um marketplace que conecte consumidores a farmácias de diferentes portes.
A abertura de novos canais de venda mantém como desafio o controle sobre quem comercializa os produtos e sobre a procedência dos medicamentos anunciados. A fiscalização da Anvisa continua alcançando anúncios e produtos irregulares nas plataformas.
A mudança também deve gerar discussões no setor farmacêutico. Entidades que representam redes, distribuidores e farmácias independentes pediram esclarecimentos à Anvisa sobre o alcance da nova resolução e sobre a forma como as regras atuais serão aplicadas.
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