A combinação entre retorno gradual ao trabalho presencial e falta de novos empreendimentos de alto padrão recolocou dois dos endereços mais tradicionais de São Paulo — Avenida Paulista e Itaim Bibi — no centro das decisões de empresas e gestores de fundos imobiliários (FIIs).
De acordo com a Colliers Brasil, a Avenida Paulista registra vacância próxima de 5%, nível considerado baixo para a série histórica. Desde 2020, os preços pedidos permaneceram estáveis, mas o interesse de locatários voltou a crescer.
A Rio Bravo Investimentos ampliou a exposição à região. No varejo, um antigo imóvel bancário de cerca de 1.000 m² será convertido em restaurante temático com contrato de dez anos. No segmento corporativo, um edifício comprado em 2020 passou por retrofit completo e, após a obra, saiu de vacância total para ocupação integral.
Outro movimento recente foi a compra do Edifício Top Center pelo fundo TEPP11 (Tellus Properties) por R$ 167,4 milhões. Localizado próximo ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), o prédio, apesar de mais antigo, é visto como ativo de forte potencial de valorização após modernização.
No Itaim Bibi, a dinâmica é de oferta limitada e procura constante. O bairro praticamente não possui lajes acima de 700 m² — dominam edifícios boutique com andares entre 600 e 700 m² —, mas registrou absorção líquida de cerca de 17 mil m² em 2025, sendo 10 mil m² apenas no último trimestre. Não há construções de padrão A ou B em andamento na região.
A proximidade com áreas residenciais e polos decisórios sustenta a demanda, embora a infraestrutura de transporte público no miolo do bairro continue considerada fraca.
Imagem: infomoney.com.br
Levantamento da Binswanger Brazil aponta que São Paulo fechou 2025 com a maior absorção líquida da história para escritórios A+ e A: 316 mil m². Apenas 53 mil m² de novo estoque foram entregues, reduzindo a vacância geral para 13,9% — patamar inferior a 15% pela primeira vez desde antes da pandemia.
Entre os contratos mais relevantes assinados no ano estão Nubank, Wise e o governo do Estado de São Paulo, espalhados por diferentes áreas da capital. O preço médio pedido subiu 5,3% frente a 2024, alcançando R$ 121,74 por m².
Especialistas projetam nova queda de vacância em Paulista e Itaim em 2026, ainda que sem saltos expressivos nos preços. A Avenida Paulista deve continuar apostando em retrofits para valorizar edifícios mais antigos, enquanto o Itaim depende de projetos boutique e de absorção gradual para sustentar o movimento.