Ribeirão Preto (SP) – O Banco do Brasil (BBAS3) ultrapassou nesta quinta-feira (30) a marca de R$ 3 bilhões em propostas de crédito apresentadas durante a Agrishow 2026, feira que se encerra na sexta-feira (1º).
O volume supera a estimativa inicial da instituição para o evento, indicando forte procura por financiamento no agronegócio mesmo em um ambiente considerado desafiador pelo setor.
Segundo o banco, as propostas abrangem linhas para aquisição de máquinas agrícolas, sistemas de armazenagem, irrigação, tecnologias e custeio, contemplando desde pequenos produtores até grandes grupos do agronegócio.
Délio Cirino, superintendente de varejo do Banco do Brasil para o interior paulista, destacou que o desempenho reforça o papel da instituição como parceira estratégica do segmento. “Mantemos presença próxima ao cliente e capacidade de atender da agricultura familiar aos grandes produtores, comprometidos com o desenvolvimento sustentável do campo”, afirmou.
O vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do banco acrescentou que, para produtores com alto nível de endividamento, a primeira medida tem sido redistribuir vencimentos para prazos maiores. Conforme explicou, a Medida Provisória 1.314 possibilitou renegociar ou contratar R$ 36,6 bilhões, dos quais R$ 33 bilhões em taxas livres — mais da metade pós-fixadas, o que reduz os juros conforme a Selic cede — e R$ 3,6 bilhões em taxas controladas, concentradas no Rio Grande do Sul.
Imagem: Pasquale Augusto via moneytimes.com.br
Ele ressaltou, contudo, que alongar prazos não basta: é necessário ajustar o fluxo de caixa, reduzir investimentos, rever custos e, em alguns casos, vender ativos. “Houve forte imobilização de capital nos últimos anos; parte desses bens pode precisar ser liquidada para equilibrar as finanças”, afirmou.
A expectativa do Banco do Brasil é de que a queda da taxa básica de juros estimule reação rápida do setor, impulsionando novos investimentos no campo.