Banco Central encontra indícios de vantagens ilegais obtidas por servidores no caso Banco Master

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O Banco Central (BC) informou ter localizado indícios de recebimento de vantagens indevidas por dois servidores durante investigação interna relacionada ao Banco Master. A constatação foi divulgada nesta quarta-feira (4) em comunicado sobre a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.

Os investigados são o ex-diretor Paulo Souza e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Ambos foram alvo de mandados de busca e apreensão executados pela PF no mesmo dia. Na mesma operação, o controlador do Master, Daniel Vorcaro, foi preso. Por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Souza e Santana deverão usar tornozeleira eletrônica.

“De imediato, o Banco Central afastou cautelarmente os servidores de suas funções, bloqueou o acesso às dependências e sistemas da autarquia, instaurou procedimentos correcionais e comunicou os indícios de crime à Polícia Federal”, informou o BC em nota.

A autoridade monetária realiza desde o início do ano uma revisão do processo de fiscalização que acompanhou a expansão do conglomerado de Vorcaro até a liquidação do Banco Master, decretada em novembro de 2025. Souza e Santana já estavam afastados desde janeiro por determinação do presidente do BC, Gabriel Galípolo.

No despacho que autorizou as medidas, Mendonça apontou que os dois servidores atuavam como consultores privados de Vorcaro em assuntos envolvendo o Banco Central, recebendo propina em troca. Entre os benefícios listados está uma viagem à Disney custeada pelo banqueiro para o ex-diretor.

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Imagem: redir.folha.com.br

Segundo o documento, Souza intermediava operações societárias e financeiras para o Master, chegando a indicar potenciais compradores de uma instituição vinculada ao grupo. Ele também seria o contato informal entre Vorcaro e outros agentes do mercado.

Em relação a Santana, o STF registrou ligações frequentes com Vorcaro e encontros fora da sede do BC para discutir como o banco deveria se posicionar diante das exigências da supervisão. O ex-chefe de departamento também revisava documentos que o Master enviaria à autarquia, conduta considerada incompatível com o cargo.

O Banco Central declarou confiar que o trabalho da Polícia Federal “é passo essencial para o pleno esclarecimento dos fatos” e afirmou que, respeitado o devido processo legal, eventuais infrações receberão “a devida resposta sancionatória”.

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