BCE diz que euro digital terá mais privacidade que transações bancárias comuns

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Piero Cipollone, membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu (BCE), afirmou em 24 de agosto que o euro digital deverá oferecer mais privacidade do que as transações bancárias comuns. A previsão do BCE é que a moeda digital da zona do euro seja lançada somente em 2029.

A privacidade é apontada como a maior preocupação dos cidadãos da zona do euro em relação à digitalização da moeda. De acordo com Cipollone, o Eurosistema não conseguirá identificar diretamente as pessoas envolvidas em uma transação com euro digital, independentemente de a operação ser realizada online ou offline.

Como funcionaria a privacidade do euro digital

Nas transações offline, as informações ficariam disponíveis apenas para as duas partes envolvidas na operação. Já nas transações online, os bancos participantes poderiam identificar os envolvidos, inclusive para cumprir os padrões de combate à lavagem de dinheiro.

O Eurosistema, porém, não teria acesso a esses detalhes nem conseguiria vincular diretamente indivíduos específicos às transações realizadas em euro digital. Cipollone afirmou que o sistema garantiria o nível máximo de privacidade que a tecnologia atual pode oferecer.

“Atualmente, no caso de uma transferência bancária, todos os detalhes da transação são conhecidos pelas partes envolvidas na operação. O euro digital garantiria uma proteção maior à privacidade. Na prática, seja usado online ou offline, o Eurosistema não conseguiria vincular diretamente indivíduos específicos a transações em euro digital.”

Euro digital não substituiria o dinheiro em espécie

O dirigente também reforçou que o euro digital seria um complemento ao dinheiro em espécie, e não um substituto. A presidente do BCE, Christine Lagarde, já havia feito essa afirmação no mês passado.

Segundo Cipollone, a moeda digital poderia ser usada em situações nas quais o dinheiro físico não está disponível, como em compras online.

“[O euro digital] não substituirá o dinheiro em espécie, mas será complementar a ele, por exemplo, em transações nas quais o dinheiro em espécie não pode ser usado, como compras online.”

Como exemplo de que o dinheiro em espécie continuaria existindo, Cipollone citou a consulta pública lançada pelo BCE sobre o design das novas cédulas de euro. Para ele, não faria sentido realizar esse processo se a instituição planejasse acabar com o dinheiro físico.

Por enquanto, o euro digital permanece como um projeto do BCE, com lançamento previsto somente para 2029. A proposta apresentada por Cipollone combina uso online e offline, participação dos bancos no cumprimento das regras contra lavagem de dinheiro e ausência de acesso direto do Eurosistema à identidade dos participantes das transações.

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