
O bitcoin (BTC) encerrou agosto com alta de 25%, recuperando parte das perdas acumuladas no ano. Outras criptomoedas também terminaram o mês no positivo. O movimento foi impulsionado pela intervenção do Tesouro dos Estados Unidos, que aumentou a liquidez e o apetite por risco nos mercados.
Para setembro, porém, o cenário histórico exige cautela. Desde 2013, o bitcoin caiu em oito meses de setembro e subiu em apenas cinco, de acordo com dados da CoinGlass. Entre as possíveis explicações estão a realização de lucros, a menor liquidez e o reposicionamento de carteiras. Outros mercados também costumam enfrentar um período mais difícil nessa época do ano.
A lista de ativos a seguir reúne as criptomoedas observadas por analistas e instituições, mas não deve ser interpretada como recomendação de investimento. As avaliações indicam os ativos que estão no radar neste momento. Como ocorre com as ações, as criptomoedas costumam ser analisadas com mais sentido em um horizonte de longo prazo.
O bitcoin permanece como a principal escolha para setembro na avaliação de Matheus Gutierrez, analista de criptomoedas da Levante Investimentos. Ele aponta que os fluxos para ETFs voltaram a ganhar força recentemente, que o programa de recompra de títulos do Tesouro americano pode continuar influenciando a liquidez, os juros e o dólar e que a discussão regulatória nos Estados Unidos segue como um possível catalisador.
Gutierrez, no entanto, afirma que evitaria “perseguir preço” depois da alta expressiva registrada em agosto. Para o analista, setembro é historicamente um mês difícil para o bitcoin, enquanto o mercado chega ao período bastante esticado.
O ethereum (ETH) continua sendo acompanhado pelo fluxo institucional e pela evolução tecnológica da rede, segundo Marcelo Person, diretor de tesouraria e mercado cripto da Foxbit. O ecossistema mantém protagonismo em stablecoins, finanças descentralizadas (DeFi) e tokenização de ativos.
Setembro poderá mostrar, na avaliação apresentada, se a recuperação recente do ETH terá continuidade e se o ativo conseguirá ampliar seu desempenho em relação ao bitcoin.
Entre os ativos de maior porte, a solana reúne o conjunto mais consistente de sinais positivos no momento, na visão de Paulo Camargo, embaixador da OKX. O preço acumulava alta superior a 40% em 30 dias.
O analista destaca como principal gatilho o interesse institucional. O ETF de Solana com staking da Bitwise, método associado à obtenção de renda passiva em determinados protocolos, já havia ultrapassado US$ 1 bilhão em captação acumulada. O produto também registrou seu maior volume diário histórico em 24 de agosto, e a Fidelity lançou produto semelhante logo depois.
A Hyperliquid é apresentada como a maior exchange descentralizada de contratos futuros perpétuos. A plataforma movimentou mais de US$ 114 bilhões em agosto. Para Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin, o principal gatilho para setembro relacionado ao HYPE, token da plataforma, é regulatório.
Em 19 de agosto, Donald Trump afirmou que o presidente da CFTC, Michael Selig, trabalhava para levar a Hyperliquid aos Estados Unidos de forma regulada. Atualmente, a plataforma bloqueia usuários americanos, que pertencem ao maior mercado de derivativos do mundo, conforme a explicação de Fontes.
O BTG Pactual elevou em 5% sua exposição ao XRP em sua carteira cripto moderada. Entre os motivos citados estão a demanda por meio de ETFs, que captaram US$ 159 milhões em agosto — o melhor fluxo mensal do ano.
O banco afirma que a rede do XRP é voltada para pagamentos e liquidações internacionais, com transferências rápidas e de baixo custo, além de facilitar a movimentação global de valor.

As stablecoins de dólar também aparecem entre os ativos acompanhados para setembro. Essas criptomoedas são vinculadas à moeda americana e, no caso da USDC, não têm como objetivo principal a valorização.
Julián Colombo, diretor sênior de políticas públicas e estratégia para a América do Sul na Bitso, considera que a USDC ganhou importância estratégica em um ambiente ainda marcado por volatilidade. Segundo ele, as stablecoins são fundamentais para preservação de capital, gestão de liquidez e realização de operações entre diferentes ativos.
Colombo também afirma que o uso crescente de moedas estáveis em pagamentos internacionais, remessas e integração com instituições financeiras reforça o papel desse tipo de ativo no ecossistema cripto. Para investidores que desejam reduzir a exposição ao risco sem sair completamente do mercado, ele considera a USDC uma alternativa relevante.
Diogo Ramos, diretor de marketing da Brasil Bitcoin, diz que a empresa sugere manter cerca de um terço da carteira em stablecoins de dólar, como USDC ou USDCT. A finalidade apontada é servir como proteção cambial e como recurso para comprar durante quedas.
Às 8h15, as cotações informadas eram:
A Liqi Digital Assets e a XDC Network, duas empresas do setor de tokenização brasileiro, renovaram por mais dois anos o compromisso conjunto de emitir US$ 2 bilhões em ativos na blockchain.
Do total previsto, US$ 500 milhões correspondem ao contrato original, firmado em abril de 2025, e já foram emitidos. A meta agora é colocar mais US$ 1,5 bilhão em ativos na blockchain até 2028.
Outro movimento envolve um grupo de 21 instituições financeiras, entre elas Bank of America, Citi, Goldman Sachs, Santander e UBS. As empresas estão se unindo para criar uma companhia de stablecoins voltada a pagamentos e transações com ativos digitais.
Inicialmente, o grupo pretende lançar uma criptomoeda atrelada ao dólar no primeiro semestre de 2027. Depois, a intenção é desenvolver versões ligadas a outras moedas do G7, com o euro entre as prioridades.
O candidato Fernando Irineu de Souza, que disputa uma vaga de deputado estadual pelo PDT em São Paulo, declarou possuir R$ 500 milhões em um ativo digital chamado “Community Token”.
O ativo, porém, não existe, e o próprio candidato reconhece essa condição. No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Souza afirma que o token será lançado em um veículo chamado Jornal Super Herói News.
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