![BNB diz que falta técnica, não crédito, para destravar transmissão e armazenamento de renováveis no Ceará 4 [Mercado Financeiro] BNB diz que falta técnica, não crédito, para destravar transmissão e armazenamento de renováveis no Ceará](https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2026/07/traderiniciante-1783088897.jpg)
O Banco do Nordeste (BNB) assegura que o avanço da energia renovável no Ceará esbarra menos na falta de dinheiro e mais em questões técnicas de transmissão e armazenamento. A avaliação foi feita pela superintendente estadual do banco, Eliane Brasil, durante o congresso Cocal 2026, em Fortaleza.
Segundo a executiva, o BNB já financia linhas de transmissão e oferece crédito específico para BESS — sistemas de baterias que armazenam energia gerada por parques eólicos e solares. Esses equipamentos minimizam a “intermitência” típica das fontes renováveis, isto é, o fato de dependem do vento ou da luz do sol em horários irregulares.
Para o investidor iniciante, vale entender que a transmissão funciona como “rodovias” que levam a eletricidade até os centros de consumo. Sem cabos suficientes, novos parques podem produzir, mas não conseguem entregar. Já o armazenamento atua como um “reservatório”, permitindo vender energia nos horários de maior preço.
A força da procura ficou clara na Chamada Nordeste, edital lançado no fim de 2025 por BNB, Banco do Brasil, Caixa, BNDES, Finep e Sudene. A meta era selecionar R$ 2 bilhões em projetos; chegaram R$ 13 bilhões em propostas, a maior parte voltada justamente a transmissão e baterias.
Parte da nova demanda virá de empreendimentos intensivos em energia, como o data center que a ByteDance (controladora do TikTok) quer erguer na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará. Centros de dados para aplicações de inteligência artificial consomem muito mais eletricidade do que instalações de nuvem tradicionais.
De acordo com Eliane Brasil, a geração necessária já está contratada com parques eólicos e solares da Casa dos Ventos, embora o BNB não participe diretamente da estruturação dos “tickets” bilionários.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Com a Selic em 14,25% ao ano, os juros subsidiados do FNE — Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste se tornam um diferencial para quem busca capital. No “Ceará Day”, realizado em maio, 28 grupos econômicos apresentaram projetos que somam R$ 18 bilhões, atraídos pela combinação de crédito barato e incentivos fiscais estaduais.
A superintendente reconhece que a reforma tributária pode reduzir parte dos benefícios fiscais que hoje atraem indústrias ao estado. Entretanto, o FNE está preservado e um novo fundo de desenvolvimento ainda será criado, mantendo, segundo ela, a disponibilidade de recursos.
Na prática, a mensagem do BNB é clara: há dinheiro para quem apresentar projetos tecnicamente viáveis. O desafio, agora, é colocar cabos e baterias no mesmo ritmo da potência eólica e solar que continua a crescer no Nordeste.
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