
O Bank of America (BofA) avalia que o Ibovespa (IBOV), próximo de 183 mil pontos, já reflete uma parcela maior de otimismo com o mercado brasileiro a oito dias das eleições presidenciais. Pelos cálculos do banco, os preços indicam uma probabilidade de aproximadamente 40% para seu cenário de alta, ante 27% um mês antes. A instituição ressalva, porém, que a disputa eleitoral permanece aberta e que a continuidade da valorização depende de condições monetárias e fiscais.
Na leitura do BofA, a recuperação da Bolsa nas últimas semanas expressa uma melhora da percepção sobre o Brasil, sem eliminar incertezas relevantes. O índice está cerca de 12% acima das mínimas do ano, movimento que o banco atribui à retomada gradual da entrada de recursos estrangeiros, mas ainda se encontra aproximadamente 6% abaixo das máximas de 2026.
Para o BofA, o desempenho das ações após a votação não dependerá necessariamente de quem vencer, mas da capacidade do próximo governo de enfrentar a questão fiscal. O banco considera possível uma reação inicialmente favorável a um governo visto como mais comprometido com a disciplina das contas públicas. Para que essa valorização se sustente, contudo, será necessário ter mais clareza sobre medidas fiscais consideradas críveis e viáveis de executar.
Os analistas estimam que a dívida bruta brasileira chegue a 83,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no encerramento de 2026. A comparação apresentada pelo banco é com os 71,4% registrados quando o atual governo assumiu.
O relatório calcula que estabilizar a trajetória da dívida exigiria um ajuste fiscal de aproximadamente 3,5% do PIB. Ao mesmo tempo, aponta uma limitação para a redução de despesas: mais de 90% dos gastos federais são obrigatórios, o que restringe significativamente o espaço para cortes.
Ao resumir sua avaliação, o BofA afirma que uma dívida equivalente a 83% do PIB coloca a questão fiscal no centro da eleição.
A trajetória da política monetária continua sendo, na visão da instituição, o principal fator capaz de impulsionar uma nova valorização das ações brasileiras. Como os juros reais seguem perto de suas máximas históricas, o banco considera que um quadro favorável exige uma redução mais intensa da Selic.
As duas hipóteses usadas na análise têm condições diferentes:
O BofA enfatiza que essas hipóteses servem como referências para a análise do mercado e não constituem projeções eleitorais. Assim, a probabilidade de 40% identificada nos preços se refere ao cenário de alta elaborado pelo banco, não à chance de vitória de um candidato.
A pesquisa mais recente do BofA com gestores da América Latina também mostra uma mudança de percepção: 73% dos investidores consultados esperam que o Ibovespa termine o ano acima de 180 mil pontos. No mês anterior, essa parcela era de 34%.
O otimismo, entretanto, não se traduz na mesma disposição para comprar ações imediatamente. Apenas 30% dos entrevistados disseram que aumentariam sua exposição à Bolsa nos patamares atuais. A maioria prefere aguardar uma eventual queda dos preços ou maior clareza sobre a eleição.
Para o banco, os níveis atuais de avaliação das ações, chamados de valuation, refletem esse equilíbrio entre confiança e cautela. O Ibovespa sem as empresas ligadas a commodities negocia cerca de 7% acima da média histórica ajustada pelos juros.
Mesmo com a melhora do sentimento, o BofA destaca que possíveis revisões para baixo nas expectativas de lucros das empresas em 2027 continuam representando um risco importante para a Bolsa brasileira.
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