
O Brasil passou de 12 para 35 ataques físicos conhecidos contra investidores de criptomoedas após uma atualização do levantamento mantido pelo desenvolvedor Jameson Lopp. Com a inclusão de 23 relatos brasileiros, o país ocupa o quarto lugar em número de ocorrências na lista, atrás de França, Estados Unidos e Taiwan.
A ampliação ocorreu após o usuário Pizza Bitcoiner utilizar ferramentas de inteligência artificial (IA) para localizar relatos que não haviam entrado nas contribuições anteriores. O arquivo mundial passou a reunir mais de 700 ataques conhecidos. A mudança, portanto, incorpora episódios antes ausentes do levantamento, e não representa apenas ataques recentes.
O registro reúne somente casos públicos. Seu objetivo inclui chamar a atenção para a importância da segurança física de quem possui criptomoedas, além dos cuidados com a segurança digital. Esses episódios são popularmente conhecidos como ataques de chave inglesa.
Após a revisão, os quatro países com mais registros no levantamento são:
Segundo Lopp, a busca com agentes de IA encontrou centenas de relatos adicionais e dobrou o total de ataques conhecidos no arquivo Bitcoin Wrench Attack, levando a contagem para mais de 700. Ao agradecer a @pizza_bitcoiner, o desenvolvedor avaliou que o trabalho tornou o registro mais preciso, embora tenha revelado um número muito maior de ocorrências.

As referências temporais do anúncio divergem: a atualização é situada em “quinta-feira (16)” e a nota de Lopp em “sexta-feira (17)”, enquanto a postagem de @lopp exibe a data de 16 de outubro de 2026.
O próprio Lopp está entre as vítimas catalogadas. Em 2017, ele sofreu uma tentativa de extorsão e teve a casa invadida pela polícia após uma denúncia falsa.
O episódio mais recente citado no Brasil ocorreu em julho, em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo. Câmeras de segurança registraram falsos policiais sequestrando um influenciador. Cerca de R$ 750 mil em criptomoedas foram roubados.
Um mês antes, outro influenciador havia sido sequestrado em Vitória, capital do Espírito Santo. Apesar da fuga relatada no episódio, os criminosos conseguiram realizar uma transação de R$ 15.000 em cripto.
No recorte por estados, São Paulo aparece com seis incidentes e o Rio de Janeiro, com quatro. Santa Catarina e Goiás têm dois registros cada. Ceará, Paraíba, Minas Gerais e Rio Grande do Sul aparecem com uma ocorrência cada. O mapa estadual é incompleto e não apresenta a distribuição de todos os 35 casos brasileiros.

A série brasileira reúne três ocorrências em 2026 até o momento considerado na atualização. Os maiores números anuais são os de 2025, com oito casos, e 2021, com sete. A distribuição registrada é a seguinte:
O Bitcoin atingiu máximas históricas de preço tanto em 2025 quanto em 2021. A possível relação apresentada para esses períodos é que os recordes podem ter levado vítimas a ostentar lucros e, assim, atraído a atenção de criminosos. Essa relação é uma hipótese, não uma causa comprovada dos ataques.
Disponível no GitHub, a lista não abrange todos os episódios: ficam de fora casos que não se tornaram públicos, incluindo aqueles em que a vítima não registrou ocorrência e os que estão sob segredo de justiça.
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