Uma sondagem realizada pelo Mercado Bitcoin em parceria com a Opinion Box mostra que a maioria dos brasileiros interessados em investimentos encara o momento de baixa do Bitcoin (BTC) como uma janela de entrada. O ativo acumula queda próxima de 18% em reais no ano, mas 61% do público investidor geral e 79% dos que já compram criptoativos afirmam enxergar o recuo como oportunidade.
Para parte dos investidores, comprar durante correções de preço é visto como maneira de reduzir o preço médio de aquisição e potencializar ganhos em eventuais recuperações. No entanto, o movimento ocorre em um ambiente doméstico de juros elevados: a taxa Selic segue em patamar de dois dígitos, o que tem favorecido produtos de renda fixa atrelados ao CDI e ao Tesouro Direto. Mesmo assim, o apelo de diversificação permanece, sobretudo entre quem já se acostumou com a volatilidade do Bitcoin.
A estratégia de investir de forma periódica é conhecida como dollar cost averaging (média de custo). Para quem ainda se familiariza com o tema, a prática dilui o risco de comprar tudo em um único preço, mas não elimina a volatilidade típica das criptomoedas.
Segundo o levantamento, 16% dos brasileiros que investem possuem algum criptoativo. Outros 70% conhecem o mercado, mas ainda não compraram, e apenas 14% nunca ouviram falar do assunto.
A disposição para ingressar varia por idade:
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Dados internos do Mercado Bitcoin reforçam a presença da geração Z: 12% dos novos clientes têm menos de 18 anos e 23% têm até 28. Esse grupo já cresceu em um ambiente digitalizado e encara os ativos virtuais como parte natural do cardápio de investimentos.
O estudo indica que quem compra cripto costuma ter participação quase dobrada em ações, fundos de investimento e fundos imobiliários quando comparado ao investidor médio. Ainda assim, 46% desse segmento mantêm recursos na poupança, produto cujo rendimento fica abaixo da inflação sempre que a Selic supera 8,5% ao ano.
Em meio ao cenário macro de juros altos, real valorizado frente ao dólar e inflação em desaceleração, o interesse dos brasileiros por criptoativos sinaliza busca por diversificação e por exposição a ativos descorrelacionados da economia doméstica. Entender o próprio perfil de risco e manter aportes coerentes com objetivos financeiros continuam sendo premissas básicas antes de qualquer decisão.
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