Braskem dispara na Bolsa após J.P. Morgan elevar recomendação e enxergar retomada em 2026

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiroagora mesmo6 Visualizações

As ações preferenciais classe A da Braskem (BRKM5) lideraram os ganhos do Ibovespa nesta terça-feira (12), com alta acima de 17% por volta das 11h45. O movimento foi desencadeado pela mudança de recomendação do J.P. Morgan, que passou de “neutra” para “compra” e revisou o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 15.

Por que o papel subiu hoje

Relatórios de grandes bancos costumam influenciar fortemente a formação de preço das ações brasileiras, principalmente quando envolvem empresas de grande liquidez. No caso da Braskem, o upgrade coincidiu com:

  • Projeção de margens petroquímicas mais altas até 2026;
  • Expectativa de oferta global mais restrita devido às tensões no Oriente Médio;
  • Leitura positiva sobre a nova estrutura de governança da companhia.

O que mudou na análise do J.P. Morgan

Segundo a analista Milene Clifford Carvalho, a Braskem “caminha para um 2026 mais forte” em virtude de dois fatores principais:

  • Oferta limitada de produtos petroquímicos: A guerra na região do Golfo dificulta exportações a partir do Oriente Médio, reduzindo a concorrência e sustentando preços.
  • Melhor governança corporativa: A reestruturação acionária acordada entre IG4 e Petrobras tende a diminuir incertezas sobre o controle da empresa, ponto sensível nos últimos anos.

Para o banco, esses elementos ainda não estão totalmente precificados nas ações, o que justificaria o novo preço-alvo.

Entenda os “spreads” petroquímicos

Spread é a diferença entre o custo da matéria-prima (no caso, principalmente nafta ou etano derivados do petróleo) e o preço de venda dos produtos finais, como resinas plásticas. Quanto maior o spread, maior a margem bruta da petroquímica.

A recente alta do barril de petróleo tende a elevar custos, mas, segundo o J.P. Morgan, a escassez de oferta mantém os preços dos produtos finais ainda mais altos, ampliando o spread.

Governança reforçada e o acordo IG4–Petrobras

A governança corporativa vem sendo um ponto de atenção para investidores desde que a controladora Odebrecht entrou em recuperação judicial. O acordo em andamento prevê a entrada do fundo IG4 e a reorganização da participação da Petrobras, podendo dar maior previsibilidade a decisões estratégicas e distribuição de dividendos.

REIQ: incentivo fiscal no radar

O relatório também menciona o Regime Especial da Indústria Química (REIQ), que concede benefícios tributários ao setor. A manutenção do programa ajudaria a aliviar custos e preservar caixa, ponto relevante para a Braskem em um período de maior alavancagem.

O que observar daqui para frente

  • Geopolítica: Uma reabertura plena do Estreito de Ormuz poderia aumentar a oferta global e reduzir margens.
  • Câmbio: Como a Braskem exporta parte relevante da produção, um dólar mais forte costuma favorecer receitas em reais.
  • Juros no Brasil: Queda adicional da Selic tende a reduzir o custo da dívida da companhia e a atrair fluxo para renda variável, beneficiando o preço da ação.

Para o investidor iniciante, a forte oscilação vista hoje ilustra como relatórios de grandes instituições e eventos geopolíticos podem impactar rapidamente o valor de mercado de empresas listadas na B3.

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