Os episódios de inadimplência envolvendo Ambipar (AMBP3), Raízen (RAIZ4) e GPA (PCAR3) derrubaram 0,6% do IDEX — índice que reúne as principais emissoras de dívida corporativa do país — entre setembro de 2025 e o início de 2026. No ciclo anterior, apenas Americanas (AMER3) e Light (LIGT3) provocaram recuo de 3,69%, o que torna o impacto atual cerca de seis vezes menor.
Os dados constam de estudo da JGP apresentado por Alexandre Muller, sócio e gestor de crédito privado da gestora, no podcast “Carteiros do Condado”, da XP, conduzido por Lucas Collazo e Davi Fontele.
Segundo o levantamento, o alargamento médio dos prêmios de risco neste ciclo alcançou 44 pontos-base, ante 91 pontos-base observados entre 2022 e 2023, também indicando um movimento mais contido no mercado de crédito privado.
Muller criticou a ênfase dada por parte da imprensa ao número recorde de pedidos de recuperação judicial. Para ele, a métrica não diferencia o porte das empresas nem o volume de dívida envolvido. O executivo ressalta que a referência mais adequada é a proporção entre o estoque de dívidas em atraso e o total de débitos, indicador acompanhado pelo Banco Central que permanece estável em torno de 3% desde 2024.
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O estudo também mediu os resgates em fundos com mais de 50% do patrimônio alocado em crédito privado. O número de veículos praticamente dobrou em três anos — de cerca de 1.100 fundos e R$ 660 bilhões em 2023 para aproximadamente 2.500 fundos e R$ 1,43 trilhão atualmente. Mesmo assim, os resgates no ciclo recente representam 1,5% do patrimônio, abaixo dos 2% registrados entre 2022 e 2023.
Para Muller, o volume de saídas é compatível com o fim de um período de juros altos e não sugere pressões adicionais sobre o mercado. Fontele ponderou que investidores devem analisar a composição dos resgates e o fluxo natural das carteiras antes de chegar a conclusões precipitadas. Com prazo médio do IDEX em torno de três anos, os fundos recebem cerca de 2,78% do patrimônio por mês em amortizações e juros, valor que costuma cobrir os saques sem necessidade de vendas forçadas.