Coca-Cola supera Pepsi nas vendas e em Wall Street, mas valuation preocupa investidores

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoMercado Financeiro25 minutos atrás8 Visualizações

A Coca-Cola vem superando a PepsiCo tanto nas prateleiras quanto no mercado acionário. As ações da Coca-Cola acumulam alta de 26% em 2026, quase o dobro do avanço do S&P 500, enquanto os papéis da PepsiCo registram pequena queda mesmo com os dividendos incluídos.

O desempenho reflete uma combinação de fatores: o crescimento das bebidas sem açúcar, a recuperação de diferentes marcas de refrigerante e uma mudança na estrutura operacional da Coca-Cola. No fim de julho, a companhia divulgou seus resultados do segundo trimestre, e suas ações subiram 5% em um único dia.

Coca-Cola Zero lidera crescimento do portfólio

A Coca-Cola ganhou participação não apenas no segmento de colas, mas também em refrigerantes de laranja e limão. A Coca-Cola tradicional e a Diet Coke, que são produtos mais antigos, também avançaram, em grande parte às custas da Pepsi.

O principal motor de crescimento, porém, continua sendo a Coca-Cola Zero Açúcar. O volume global da marca aumentou 16% em relação ao mesmo período do ano anterior, acima dos 5% de crescimento registrado por todo o portfólio da marca Coca-Cola.

A estratégia de bebidas sem açúcar também tem relação com uma vantagem construída ao longo do tempo. A Coca-Cola lançou a Coca-Cola Zero em 2005 e adotou uma embalagem que se apresenta como uma extensão da Coca-Cola tradicional. A Pepsi levou 11 anos para organizar uma estratégia comparável em torno de uma cola “Zero”.

Antes disso, a Pepsi havia apostado na Pepsi Max, com ginseng e mais cafeína. A embalagem não deixava tão evidente que o produto não tinha açúcar. Em 2016, a empresa retirou o ginseng, reduziu a cafeína e adotou o nome Pepsi Zero Sugar nos Estados Unidos. Nesse intervalo, houve também sucessivas mudanças de embalagem.

A história dos refrigerantes dietéticos

Os refrigerantes dietéticos surgiram antes das versões Zero. Em 1952, Hyman Kirsch, empresário e filantropo ligado a um pequeno hospital no Brooklyn, concluiu que pacientes com diabetes também deveriam ter acesso a um refrigerante. Com a ajuda de um cientista, criou o No-Cal, inicialmente nos sabores ginger ale e cereja preta.

O crescimento do produto chamou a atenção da Royal Crown, fabricante de refrigerantes de Chicago, que lançou o Diet Rite. O sucesso levou Coca-Cola e Pepsi a responderem à nova categoria.

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Foto: Foto: reprodução

Como ainda era considerada experimental, nenhuma das duas empresas quis colocar sua principal marca em risco. A Coca-Cola lançou a Tab, enquanto a Pepsi criou a Patio. Mais tarde, surgiram a Diet Coke e a Diet Pepsi.

A Diet Coke estreou em 1982 com uma fórmula que não era simplesmente uma versão sem açúcar da Coca-Cola tradicional. A bebida tinha um perfil mais cítrico, pensado originalmente para disfarçar o gosto residual dos adoçantes. A estratégia mudou com a Coca-Cola Zero, lançada em 2005.

Menos ativos físicos ajudam a explicar o valuation

A vantagem da Coca-Cola não está apenas no comportamento dos consumidores. Pouco mais de uma década atrás, mais da metade da receita da companhia vinha de participações em operações regionais de engarrafamento. Essas empresas transformam o concentrado em bebidas, colocam os produtos em garrafas e latas e cuidam da distribuição.

Atualmente, a Coca-Cola vendeu ou está perto de vender praticamente todas essas operações. Com isso, tornou-se uma empresa mais asset-light — expressão usada para descrever negócios com menos capital comprometido em fábricas, caminhões e outros ativos físicos, e mais concentrados em marcas, fórmulas e marketing.

Essa transformação ajuda a explicar por que a Coca-Cola é negociada a cerca de 26 vezes o lucro esperado para este ano. O mercado americano registra múltiplo de aproximadamente 22 vezes, enquanto a PepsiCo é negociada a 16 vezes o lucro esperado.

A PepsiCo, por sua vez, tem mais da metade de seus negócios concentrados em alimentos, especialmente snacks, por meio de Frito-Lay e Quaker Foods. A indústria de grandes marcas de alimentos atravessa uma fase difícil.

Uma das possíveis explicações envolve a popularização dos medicamentos GLP-1. Esses produtos podem reduzir a sensação de fome e o chamado food noise, expressão usada para descrever pensamentos recorrentes sobre comida. Com isso, podem atingir justamente o consumo por impulso que ajuda a vender biscoitos, salgadinhos e outros snacks.

Brasil aparece entre os mercados de crescimento

A Coca-Cola global é comandada desde 31 de março pelo brasileiro Henrique Braun, veterano da companhia desde 1996 e ex-presidente das operações no Brasil e na América Latina.

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Foto: Foto: reprodução

O segundo trimestre foi um dos primeiros sob o comando de Braun. O Brasil esteve entre os mercados que puxaram o crescimento de volume do grupo, e a companhia afirmou ter ganhado participação em valor no país.

Embora a disputa descrita seja principalmente americana, o avanço das bebidas sem açúcar também aparece no Brasil, de acordo com os dados divulgados pela companhia.

Dividendos e preço das ações entram na avaliação

Para quem analisa as duas empresas, uma questão central é quanto da vantagem da Coca-Cola já está refletida no preço das ações. O dividend yield, indicador que relaciona os dividendos pagos ao preço do papel, é de aproximadamente 2,4% na Coca-Cola e de 4,3% na Pepsi.

A ação da Pepsi pode se beneficiar de uma recuperação caso o negócio de refrigerantes volte a ganhar força. No entanto, a exposição aos snacks torna essa possibilidade mais complexa, diante das dificuldades enfrentadas pelas grandes marcas de alimentos.

A preferência declarada na análise é pela Coca-Cola entre as duas empresas. Ainda assim, os preços atuais fazem com que a melhor posição em “Big Soda”, na avaliação apresentada, possa ser justamente aquela palavra que passou a dominar as latas: “zero”.

A Barron’s, fundada em 1921, é uma das principais publicações financeiras dos Estados Unidos e integra o grupo Dow Jones, também responsável pelo Wall Street Journal.

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