Brasília – A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira (5), aponta que a guerra no Oriente Médio tem elevado os índices de preços ao consumidor e ao produtor, piorando as expectativas de inflação para prazos mais longos.
Na semana passada, quarta-feira (29), o colegiado reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,5% ao ano, mantendo postura de cautela diante da incerteza gerada pelo conflito envolvendo o Irã. Segundo o documento, o ajuste considerado “conservador” foi adotado após as projeções de inflação se distanciarem da meta de 3%.
O Copom relata que as leituras mais recentes de preços vieram “significativamente acima” do previsto, refletindo os desdobramentos geopolíticos na região. O texto acrescenta que persiste a avaliação de uma inflação influenciada pela demanda, o que requer política monetária contracionista, ao mesmo tempo em que o aperto de juros já realizado tem contribuído para a desaceleração observada.
No cenário de referência, a estimativa de inflação para o ano subiu de 3,9% para 4,6%. Para 2027, a projeção passou a 3,5%, ante 3,3% calculados no encontro anterior, que focava o terceiro trimestre do próximo ano. A ata também registra deterioração adicional das expectativas para 2028.
Imagem: redir.folha.com.br
A meta central de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Pelo modelo de meta contínua, há descumprimento se o resultado acumulado ficar fora do intervalo de 1,5% a 4,5% durante seis meses seguidos.
O Copom não antecipou o rumo da taxa básica nos encontros seguintes, preferindo avaliar novos dados antes de decidir. A próxima reunião está marcada para 16 e 17 de junho, a quarta de um total de oito previstas para o ano.