![Crédito das famílias volta a disparar e acende alerta de “boom-bust” no consumo brasileiro 4 [Mercado Financeiro] Crédito das famílias volta a disparar e acende alerta de “boom-bust” no consumo brasileiro](https://mlxc2yjmu1wd.i.optimole.com/cb:7nVm.4f7/w:1920/h:1280/q:mauto/f:best/https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2026/06/traderiniciante-1781568680.jpg)
O crédito é peça importante para o funcionamento da economia, mas o avanço acelerado do endividamento das famílias brasileiras volta a preocupar. Análise da economista Cecilia Machado, chefe do Banco BoCom BBM e professora da PUC-Rio, mostra que a dívida dos lares já equivale a 35% do Produto Interno Bruto (PIB) – o maior nível da série histórica.
Quando empresas tomam empréstimos, há chance de que o recurso se transforme em investimento produtivo. No caso das famílias, o crédito costuma apenas antecipar consumo. Se a renda não cresce no mesmo ritmo, a conta chega e o orçamento doméstico fica apertado.
A literatura econômica chama esse ciclo de boom-bust: primeiro, a oferta farta de financiamento impulsiona compras e o PIB; depois, o serviço da dívida reduz o consumo e desencadeia desaceleração – ou até recessão.
Estudo do Banco Central citado por Machado indica que cada ponto percentual extra na razão dívida-renda reduziu o consumo em 1,24 ponto percentual durante a crise – impacto sentido sobretudo nas linhas de juros mais altos.
Programas recentes reforçam a tendência. O Crédito do Trabalhador (consignado para o setor privado), linhas específicas para motoristas de aplicativo, microempreendedores e novos incentivos ao financiamento habitacional ampliam o alcance do endividamento.
Mesmo com a trajetória de queda da Selic em 2024, as taxas finais ao consumidor permanecem elevadas, sobretudo nas modalidades rotativas. Juros altos aumentam o custo do serviço da dívida e podem pressionar a inadimplência.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Investidores devem acompanhar:
A história recente sugere que, sem avanço equivalente na produtividade ou na poupança doméstica, o país corre o risco de repetir o roteiro visto há uma década. A expansão do crédito impulsiona o consumo no curto prazo, mas pode custar crescimento nos próximos anos se a alavancagem permanecer elevada.
Para Machado, insistir nessa estratégia significa adiar investimentos estruturais que realmente elevem a capacidade produtiva do Brasil. O ajuste, alerta a economista, tende a aparecer mais cedo do que se imagina.
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