Descontos em imóveis ganham força em cinco grandes cidades dos EUA

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafiosagora mesmo6 Visualizações

Os sinais de arrefecimento no mercado imobiliário norte-americano ficaram mais claros em abril. Levantamento da plataforma Realtor.com mostra que 16,7% dos anúncios ativos no país tiveram redução de preço no mês. O índice supera a média histórica, mas vem recuando em relação a 2023. Ainda assim, algumas cidades continuam fora da curva, com quase um terço das listagens passando por cortes.

Por que os preços estão sendo ajustados?

Dois vetores explicam o movimento:

  • Juros mais altos: após sucessivas altas promovidas pelo Federal Reserve desde 2022, a taxa média de hipoteca de 30 anos se mantém próxima de 7% ao ano, encarecendo o financiamento e esfriando a demanda.
  • Oferta mais folgada: em regiões do Sun Belt e do Mountain West, a construção residencial dos últimos anos ampliou o estoque de casas, obrigando vendedores a rever expectativas.

De acordo com Jake Krimmel, economista sênior da Realtor.com, “os imóveis não estão girando” nessas praças por causa da combinação de oferta abundante e demanda anêmica nos preços atuais.

As 5 cidades com mais cortes de preço

  • Phoenix–Mesa–Chandler (Arizona) – 29,1% dos anúncios com desconto; preço mediano de US$ 499 mil (-2,2 pontos percentuais em 12 meses).
  • Tampa–St. Petersburg–Clearwater (Flórida) – 25,1% das listagens; preço mediano de US$ 406,5 mil (-4,2 p.p.).
  • San Antonio–New Braunfels (Texas) – 25,0% dos anúncios; preço mediano de US$ 324,7 mil (-0,7 p.p.).
  • Denver–Aurora–Centennial (Colorado) – 24,4% das listagens; preço mediano de US$ 587 mil (-2,8 p.p.).
  • Portland–Hillsboro–Vancouver (Oregon/Washington) – 24,0% dos anúncios; preço mediano de US$ 579,8 mil (+0,7 p.p.).

Possíveis impactos econômicos

Embora o mercado de trabalho dos EUA permaneça sólido, a desaceleração das vendas de imóveis pode reduzir reformas, consumo de bens duráveis e até arrecadação de impostos locais. Uma queda persistente nos preços costuma pressionar negócios ligados à construção civil e financiamentos.

Descontos em imóveis ganham força em cinco grandes cidades dos EUA - Imagem do artigo original

Imagem: Eric Revell FOXBusiness

Reflexos para o investidor brasileiro

  • Cenário de juros globais: o recuo na atividade imobiliária reforça a expectativa de que o Federal Reserve demore a cortar a taxa básica. Isso tende a manter o dólar relativamente firme frente ao real e influencia as decisões do Banco Central sobre a Selic.
  • Fundos imobiliários globais (REITs): descontos em imóveis residenciais podem afetar o desempenho de REITs focados nesse segmento, o que se reflete em BDRs negociados na B3.
  • Renda fixa americana: caso o setor imobiliário puxe a economia para baixo, Treasuries podem ganhar demanda, alterando o prêmio de risco no mundo, inclusive nos títulos do Tesouro Direto atrelados ao dólar.

Para quem investe ou acompanha ativos internacionais, vale monitorar se a pressão por descontos se estenderá a outras regiões. Até agora, o fenômeno concentra-se em mercados que vinham entre os mais aquecidos desde a pandemia.

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