Mesmo após registrar em 2025 a maior desvalorização desde a década de 1970, o dólar tende a permanecer fraco em 2026. Ainda assim, gestores avaliam que a melhor forma de enfrentar o próximo ano — marcado por eleições e volatilidade — será manter parte do portfólio fora do país.
“O brasileiro já concentra renda, carreira e imóveis na economia local; manter todos os investimentos aqui amplia o risco”, afirma Rodrigo Aloi, head de pesquisa e estratégia da HMC Capital. Para ele, a fatia internacional ideal gira entre 30% e 40%, bem acima da média de 1% observada entre investidores locais.
Levantamento apresentado por Tadeu Arantes, head de alocação da Ghia Multi Family Office, mostra que a volatilidade anualizada média do dólar em anos de eleição atinge 15,1%, ante 13,9% nos demais períodos. Bruno Botelho, chefe de mesa de câmbio da ONE Investimentos, lembra que em 2025 a moeda já oscilou com reprecificação de juros globais e incertezas fiscais internas, cenário que deve se repetir em 2026.
No mercado internacional, o dólar perdeu força ao longo de 2025, principalmente frente a divisas de emergentes. “O movimento foi global e acabou prevalecendo sobre dúvidas internas”, observa Luis Garcia, CIO da SulAmérica Investimentos. Mesmo com a tendência de enfraquecimento, Artur Wichmann, CIO da XP, reforça que “diversificar fora deixou de ser opcional; não se trata apenas de retorno, mas de reduzir o risco de concentração em um único país”.
Para 2026, o UBS Global Wealth Management mantém visão favorável para a renda variável mundial após o bom desempenho de 2025. Ronaldo Patah, estrategista da instituição para o Brasil, descarta formação de bolha nas bolsas americanas e atribui os valuations elevados a fundamentos sólidos, principalmente relacionados à inteligência artificial, ainda em fase inicial de adoção.
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A XP elevou a recomendação para neutra em relação ao mercado acionário dos Estados Unidos, apostando que o impulso da inteligência artificial deve prosseguir. Wichmann acrescenta que diversificar não implica investir apenas nos EUA; Europa, Japão e alguns emergentes despontam como alternativas em um contexto de dólar mais fraco.
O UBS também ampliou a exposição a China, Europa e outros emergentes, projetando crescimento de aproximadamente 8% nos lucros do S&P 500 em 2026, apoiado na perspectiva de cortes de juros globais.