![Dívida no cartão dobra em oito meses: entenda por que o rotativo continua o crédito mais caro do país 4 [Mercado Financeiro] Dívida no cartão dobra em oito meses: entenda por que o rotativo continua o crédito mais caro do país](https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2026/06/traderiniciante-1782739766.jpg)
Deixar a fatura do cartão de crédito sem pagamento integral por vários meses ainda é uma das decisões mais caras que um consumidor pode tomar. Simulação com base nas taxas médias divulgadas pelo Banco Central em abril mostra que o saldo devedor pode dobrar em apenas oito meses caso não haja nenhum tipo de renegociação.
No Brasil, a maior parte das compras no cartão (74,3%) é quitada sem juros. Entretanto, o grupo que não consegue pagar a fatura integralmente está crescendo – e enfrenta taxas muito acima de qualquer referência de mercado, incluindo a própria Selic.
Se o cliente não quita o valor total na data de vencimento, o saldo entra no chamado crédito rotativo. Por regra do Banco Central, essa modalidade só pode durar até o próximo fechamento da fatura (30 dias). Depois, o banco deve oferecer o parcelado do cartão, cuja taxa média em abril era de 188,1% ao ano (cerca de 9% ao mês).
Para frear o efeito bola de neve, uma norma em vigor desde janeiro de 2024 limita a cobrança de juros e encargos a, no máximo, 100% do valor original da dívida. Isso significa que uma fatura não paga de R$ 1.000 não pode ultrapassar R$ 2.000, já incluídos todos os custos.
Segundo especialistas, mesmo com o novo teto, o ritmo de crescimento permanece alto. A professora Juliana Inhasz (Insper) lembra que, para boa parte dos endividados, a conta já se tornou impagável antes mesmo de atingir o limite de 100%.
Além disso, ficar inadimplente afeta o score de crédito, encarece outras linhas de financiamento, dificulta a contratação de seguros e compromete planos de médio prazo, como a compra de um imóvel ou a formação de uma reserva financeira.
Imagem: que ele influencia seu dinheiro
Especialistas recomendam encarar o limite do cartão como antecipação do salário — não como dinheiro adicional. A sensação de renda maior leva alguns consumidores a extrapolar gastos em diversos cartões, acumulando anuidades e parcelas que se sobrepõem ao orçamento mensal.
Para quem está começando a poupar ou investir, o recado é claro: juros de três dígitos ao ano corroem qualquer rentabilidade de aplicações tradicionais, como Tesouro Selic, CDI ou fundos de renda fixa. Antes de pensar em alocar recursos, vale priorizar a quitação de dívidas caras, já que o retorno financeiro de “zerar” um débito com juros de 14% ao mês supera, e muito, o rendimento líquido de investimentos conservadores.
Com o dólar, a inflação e a própria Selic passando por oscilações ao longo do ciclo econômico, manter equilíbrio no orçamento e evitar o rotativo segue sendo uma das decisões mais eficientes — e de menor risco — para proteger o patrimônio no longo prazo.
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