
A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões. O valor chegou a US$ 40,05 trilhões ao fim das operações de terça-feira (18), de acordo com comunicado divulgado pelo Departamento do Tesouro em 19 de agosto de 2026. Em menos de cinco anos, o montante cresceu um terço.
O avanço ocorre enquanto parlamentares americanos seguem sem apresentar uma solução para os déficits fiscais historicamente elevados. A dívida também se aproxima do teto legal de endividamento, fixado em US$ 41,1 trilhões.
Horas antes da divulgação do novo número, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, fez uma nova tentativa de conter o custo do endividamento de longo prazo, que está em máximas de vários anos e é apontado como um componente relevante do crescimento da dívida.
O Tesouro informou que está ampliando um programa de recompra de títulos mais longos. O anúncio derrubou os juros dos títulos.
A marca de US$ 30 trilhões havia sido ultrapassada em janeiro de 2022, evidenciando a velocidade do aumento das necessidades de endividamento federal. Ainda não há um desfecho definido para essa trajetória.
Na quinta-feira (13), o leilão mais recente de títulos de 30 anos do Tesouro americano resultou na venda mais cara desse tipo de papel em um quarto de século. Um leilão de títulos de 10 anos realizado no dia anterior teve o maior custo de financiamento para esse prazo desde 2007.
Quando os compradores exigem juros mais altos, o Tesouro precisa captar recursos a um custo maior. Nos dois meses restantes até o fim do ano fiscal, os custos com juros em 2026 somavam US$ 1,17 trilhão, alta de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Esse aumento é incorporado à própria dívida e pode estimular novas exigências por juros maiores, em um processo conhecido no mercado como “loop da desgraça” ou doom loop. Atualmente, os gastos com juros são a terceira maior parcela do orçamento americano, atrás apenas de saúde e Previdência Social.
O número divulgado inclui os títulos do Tesouro negociados no mercado, que são acompanhados pelos investidores, e a chamada dívida intragovernamental. Essa segunda parcela inclui, entre outros itens, superávits passados do sistema de Previdência Social aplicados em títulos do Tesouro emitidos especificamente para esse fim.
A dívida acelerou durante as recessões severas associadas à crise financeira global e à pandemia de covid. Nesses períodos, a arrecadação caiu com a perda de empregos entre trabalhadores que pagavam impostos, enquanto os pagamentos de assistência aumentaram.
Uma análise compilada por economistas do Deutsche Bank AG também relaciona o crescimento da dívida a medidas adotadas por diferentes governos:
Bessent assumiu o cargo em 2025 defendendo uma meta de déficit orçamentário equivalente a cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) até o fim do segundo mandato de Donald Trump, previsto para terminar em janeiro de 2029.
Não está claro como essa meta poderá ser alcançada. A relação entre déficit e PIB estava em 6% em julho, conforme dados compilados pela Bloomberg. Economistas, o Congressional Budget Office (CBO) — órgão de análise orçamentária do Congresso americano — e o mercado financeiro veem pouco ou nenhum avanço nessa relação nos próximos anos.
Republicanos historicamente se opõem a aumentos de impostos destinados a elevar a arrecadação. Ao mesmo tempo, os dois partidos evitam cortes considerados politicamente tóxicos em benefícios de saúde e aposentadoria para idosos. Muitos observadores acreditam que o Congresso e o governo só agirão se forem pressionados por uma disrupção no mercado financeiro.

Bessent afirmou que um dos principais motivos para ter entrado na política foi ajudar a enfrentar déficits em um ritmo sem precedentes fora de períodos de grandes guerras, pandemias ou mercados de trabalho deprimidos.
Para Matthew Luzzetti, economista-chefe para os Estados Unidos do Deutsche Bank AG, a passagem da marca de US$ 40 trilhões tem importância principalmente simbólica. “Do ponto de vista simbólico, tenho certeza de que cruzar marcas como US$ 40 trilhões vai chamar atenção para o tema no curto prazo”, disse.
Na avaliação de Luzzetti, porém, o número não representa um limite mágico para a dinâmica da dívida, e as projeções já haviam antecipado esse resultado. Para o economista, a alta dos juros dos títulos do Tesouro americano é mais importante, porque eleva continuamente o custo de administrar a dívida recorde.
A estimativa da Fitch Ratings é que o teto legal de US$ 41,1 trilhões seja atingido em meados de 2027. A chegada a esse limite deve provocar mais um embate partidário em Washington para evitar um potencial calote nos pagamentos dos Estados Unidos.
Em 13 de agosto, a Fitch reafirmou a nota de crédito AA+ do país e, ao mesmo tempo, reforçou os alertas sobre a trajetória atual de endividamento.
Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.






