Uma frente de lobby ligada às maiores empresas de criptomoedas dos Estados Unidos, liderada pelo Fairshake PAC, desembolsou aproximadamente US$ 20 milhões em publicidade para apoiar candidatos considerados “pró-cripto”. O resultado: cinco vitórias — quatro republicanas e uma democrata — nas primárias de Geórgia, Kentucky e Alabama, além de um candidato que segue para segundo turno no Alabama.
O que é um PAC — e por que o Fairshake chama atenção
- PAC é a sigla para Political Action Committee, entidade autorizada a arrecadar e gastar recursos em campanhas eleitorais nos EUA.
- O Fairshake é financiado principalmente por empresas do setor, como Ripple Labs e Coinbase, e opera por meio de dois braços: Defend American Jobs (republicanos) e Protect Progress (democratas).
- Segundo registros na Comissão Eleitoral Federal (FEC), o grupo mantém um “caixa de guerra” de US$ 193 milhões, superando o gasto total de 2024 (US$ 130 mi) e indicando apetite para as eleições de meio de mandato de 2026.
Como o dinheiro foi distribuído nas primárias
- Geórgia: US$ 4,2 mi para a democrata Jasmine Clark (13º distrito) e cerca de US$ 1,6 mi somados para três republicanos — Clay Fuller, Houston Gaines e Jim Kingston.
- Kentucky: US$ 7,2 mi para o republicano Andy Barr na disputa pelo Senado.
- Alabama: US$ 7,4 mi para o republicano Barry Moore, que ainda enfrentará segundo turno.
Todos os candidatos apoiados defendem regulamentações vistas como favoráveis ao mercado cripto ou, no mínimo, menos restritivas.
Possíveis impactos para o mercado de criptomoedas
Embora a notícia se limite ao processo eleitoral americano, ela carrega implicações globais:
- Regulação: leis estaduais e federais dos EUA costumam influenciar diretrizes adotadas por outros países. Uma composição legislativa mais aberta à indústria tende a acelerar discussões sobre regras claras para exchanges e stablecoins.
- Sentimento de mercado: vitórias políticas podem reduzir o chamado “risco regulatório”, fator monitorado por quem investe em Bitcoin, Ether e altcoins. Menos incerteza tende a diminuir oscilações causadas por especulação sobre proibições.
- Dólar vs. cripto: políticas domésticas americanas afetam o fluxo de capitais globais. Se o ambiente se mostrar mais amigável às empresas de cripto, poderá haver maior entrada de recursos no setor, impactando cotações internacionais.
O que observar como investidor brasileiro
- Conjuntura de juros: mudanças no ambiente regulatório americano podem influenciar a adoção institucional de cripto, que costuma ganhar força em ciclos de corte de juros. No Brasil, esse movimento costuma se refletir em fundos e ETFs listados na B3.
- Volatilidade do real: valorização ou desvalorização do dólar, derivada de incertezas políticas nos EUA, afeta o preço de criptoativos quando convertido para reais, pois o mercado local segue a cotação internacional.
- ETFs e BDRs de cripto: vitórias de candidatos pró-cripto podem incentivar novas listagens de produtos financeiros lastreados em cripto em bolsas globais e, por consequência, no mercado brasileiro.
Próximos passos: segundo turno no Texas e as eleições de 2026
O Fairshake já direcionou mais de US$ 4,1 mi ao democrata Christian Menefee na disputa contra o deputado Al Green no Texas. O segundo turno, marcado para a próxima terça-feira, funcionará como novo termômetro do poder de influência do lobby cripto. De olho em 2026, o setor indica que continuará a usar recursos significativos para apoiar políticos alinhados a uma regulação pró-inovação.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Para o investidor brasileiro, acompanhar esse movimento ajuda a entender o rumo das políticas que moldam o ecossistema global de criptomoedas — e, por extensão, o comportamento de preços e a oferta de novos produtos financeiros no país.