Dólar ganha fôlego: DXY supera 101 pontos com Fed mais duro e Selic em queda no radar

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções36 minutos atrás16 Visualizações

O dólar voltou a se valorizar no exterior e, por consequência, frente ao real. Nesta semana, o índice DXY — que compara a divisa norte-americana a seis moedas fortes, como euro e iene — ultrapassou 101 pontos, marca que não era vista desde maio de 2025, em meio ao auge da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Por que o DXY subiu?

O principal gatilho foi a expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos. Após a última reunião do Federal Reserve (Fed), o novo presidente indicado, Kevin Warsh, adotou tom considerado “hawkish” (duro) no combate à inflação. Grandes bancos, como Bank of America e BTG Pactual, passaram a projetar três altas de 0,25 ponto percentual nos Fed Funds ainda em 2026.

O discurso mais firme veio acompanhado de um dot plot que sugere taxa terminal acima do previsto anteriormente. Como reflexo, o rendimento dos Treasuries de curto prazo encostou em 4,23%, maior nível desde fevereiro de 2025.

Como juros americanos mexem no câmbio

  • Retorno atrativo: Treasuries mais rentáveis tornam-se concorrentes de aplicações em países emergentes.
  • Redução do apetite a risco: investidores globais preferem títulos considerados seguros, vendendo ativos de maior risco — como ações brasileiras — e comprando dólar.
  • Fortalecimento da moeda: o fluxo para os EUA aumenta a demanda pelo dólar e sustenta a alta do DXY.

Efeito Selic: a ponta brasileira da história

No Brasil, o mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) continue cortando a Selic. Juros domésticos menores encolhem o spread em relação às taxas oferecidas pelos EUA. Esse diferencial é um dos fatores que atraem capital estrangeiro para títulos brasileiros; quando diminui, o incentivo enfraquece e o real tende a perder força.

Além disso, analistas apontam incertezas fiscais e dúvidas sobre o controle da dívida bruta como elementos adicionais de pressão sobre a moeda brasileira.

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Imagem: Anna Scabello

Geopolítica adiciona volatilidade

A recente escalada de tensão no Estreito de Ormuz, com ataque a embarcação relatado por autoridades dos EUA, reforça a busca por ativos considerados porto seguro, como o próprio dólar. Já nos dados macro, a leitura estável de 0,4% do PCE (índice de inflação preferido do Fed) trouxe algum alívio, mas não mudou a percepção de que novas altas de juros permanecem no radar — a ferramenta FedWatch ainda atribui mais de 60% de probabilidade a um aumento em setembro.

O que acompanhar daqui para frente

  • Próximos indicadores de inflação nos EUA (CPI e PPI): leituras mais fracas podem arrefecer o ímpeto do dólar.
  • Decisões do Copom: cada corte na Selic recalibra o diferencial de juros e pode afetar o câmbio.
  • Debate fiscal no Brasil: discussões sobre teto de gastos e trajetória da dívida mexem na percepção de risco.
  • Cenário geopolítico: novas tensões no Oriente Médio podem ampliar a procura global por segurança.

Para o investidor, a movimentação recente evidencia como política monetária e risco fiscal caminham juntos na formação do câmbio. Acompanhar dados de inflação, decisões de juros e cenário internacional continua essencial para entender a direção do dólar e seus possíveis reflexos sobre Bolsa, renda fixa e planejamento financeiro.

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