Dólar em alta e sinal duro do Fed levam ouro à terceira semana de queda

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro2 horas atrás7 Visualizações

O ouro terminou a sexta-feira (19) em queda de 0,6%, a US$ 4.184,33 a onça-troy (31,1 g), acumulando desvalorização de 0,9% na semana. Os contratos futuros para agosto negociados na Comex perderam 1%, a US$ 4.202,10. É a terceira semana consecutiva de baixa do metal, reflexo do fortalecimento do dólar e da possibilidade de juros mais altos nos Estados Unidos.

Fed mantém juros, mas deixa porta aberta para nova alta

Na quarta-feira, o Federal Reserve optou por manter a taxa básica, mas o tom duro (“hawkish”) das projeções chamou atenção: 9 dos 19 dirigentes enxergam a necessidade de mais um aumento ainda em 2026. A ferramenta FedWatch, da CME, passou a apontar 87% de chance de alta na reunião de dezembro; antes era 61%.

Quando os juros americanos sobem, os títulos do Tesouro dos EUA oferecem retorno maior. Como o ouro não paga cupom nem dividendos, tende a perder atratividade em cenários de aperto monetário.

Dólar forte pesa sobre commodities

O índice do dólar segue próximo aos maiores níveis em um ano, reforçando a pressão sobre o metal. Como o ouro é cotado na moeda norte-americana, qualquer avanço do dólar encarece a compra para investidores de outras divisas, reduzindo a demanda internacional.

Alívio geopolítico reduz prêmio de risco

O anúncio de fim do bloqueio ao Irã e a normalização do tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz diminuiu a busca por proteção. Esse “prêmio geopolítico” vinha sustentando parte da valorização recente do ouro.

O que observar daqui para frente

  • Projeções de mercado: O Goldman Sachs estima o ouro em US$ 4.900 por onça no fim do ano, abaixo dos US$ 5.400 previstos anteriormente, após descartar cortes de juros pelo Fed em 2026.
  • Juros globais: Mudanças na política monetária dos EUA costumam influenciar fluxos para ativos de risco e, indiretamente, o câmbio no Brasil.
  • Dólar x Ouro: Para investidores locais, a cotação do metal pode oscilar mesmo quando o preço internacional cai, caso o real se desvalorize frente ao dólar.

Impacto para o investidor brasileiro

No Brasil, o ouro pode ser acessado via contratos na B3, fundos de investimento ou ETFs. A sequência de quedas mostra como o metal, apesar de ser visto como reserva de valor, reage rapidamente a expectativas de juros e câmbio.

Com a Selic em processo de corte e os juros norte-americanos podendo subir novamente, o diferencial de taxas tende a se estreitar, tornando o cenário mais volátil para quem busca proteção em ouro. Vale acompanhar:

  • Próximas sinalizações do Fed e do Banco Central do Brasil;
  • Trajetória do dólar, que afeta diretamente o preço do metal em reais;
  • Evolução de tensões geopolíticas, que costumam aumentar a procura por ouro.

Para quem já possui exposição ao metal, o momento reforça a importância de entender como fatores externos — juros, câmbio e risco global — afetam o desempenho desse tipo de ativo.

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