
Mais de 100 economistas e 60 organizações da sociedade civil lançaram, na semana de 24 de setembro de 2026, a Vida em Conta, iniciativa que pretende aproximar as discussões sobre economia da realidade da população brasileira. Articulada pela Plataforma Cipó e pela organização Transforma, a ação defende prioridades como reduzir o custo de vida, enfrentar desigualdades e gerar empregos de qualidade.
Para as entidades participantes, o crescimento da economia e a melhora dos indicadores sociais ainda não são percebidos no cotidiano por uma parcela significativa dos brasileiros. A proposta coloca em discussão não apenas o avanço dos indicadores, mas também a distribuição de seus benefícios e sua tradução em melhores condições de vida.
A diretora-executiva da Plataforma Cipó, Maiara Folly, afirma que crescer é fundamental, mas que a maneira como os ganhos econômicos são distribuídos também precisa ser considerada. Em sua avaliação, o sucesso de uma economia envolve diminuir desigualdades e converter as capacidades e riquezas nacionais em desenvolvimento tecnológico, trabalho de qualidade e bem-estar para a população.
As diretrizes defendidas pela Vida em Conta incluem:
No diagnóstico apresentado pela iniciativa, o Brasil registrou avanços importantes nos últimos anos, com a retomada, desde 2023, de políticas públicas, investimentos e instrumentos de planejamento. O grupo associa esse movimento a resultados relevantes no enfrentamento da fome e da pobreza, na geração de trabalho e renda e na queda do desemprego e da inflação.

A avaliação também destaca progressos na proteção ambiental e na recuperação da capacidade de atuação do Estado. As entidades ressaltam, porém, que a continuidade dessas conquistas não está garantida.
O alerta é para a possibilidade de retorno de uma agenda que reúna limitações permanentes ao investimento público, enfraquecimento de serviços e instituições públicas e desonerações tributárias sem contrapartidas claras para o desenvolvimento. Segundo as organizações participantes, essa combinação poderia comprometer a proteção social e ambiental e prejudicar o crescimento econômico.
Para o diretor-executivo do Transforma, Marco Antonio Rocha, o novo cenário global exige que o Brasil estabeleça uma agenda ambiciosa de transformação social. Ele defende que o debate não fique limitado às questões fiscais de curto prazo diante das mudanças no clima, na tecnologia e nos processos de trabalho. Na avaliação de Rocha, é necessário avançar em uma agenda capaz de evitar retrocessos e assegurar oportunidades econômicas e direitos sociais.
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