Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira, 28 de abril, que se desligam da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da coalizão ampliada Opep+ a partir de 1º de maio. A decisão foi divulgada em comunicado do Ministério da Energia e Infraestrutura, reproduzido pela agência estatal WAM.
No texto, Abu Dhabi afirma que a medida segue “visão estratégica e econômica de longo prazo” e reflete a evolução do perfil energético nacional, marcado pelo aumento dos investimentos na produção doméstica. O governo acrescentou que continuará a “atuar de forma responsável”, liberando volumes adicionais de petróleo de maneira “gradual e comedida”, conforme a demanda e as condições de mercado.
A saída de um membro histórico tende a gerar turbulência dentro da Opep, que tradicionalmente busca consenso entre seus integrantes sobre cotas e políticas de produção. Analistas apontam que o movimento pode enfraquecer a capacidade do grupo de apresentar uma frente unificada.
Em entrevista à Reuters, o ministro da Energia, Suhail Mohamed al-Mazrouei, afirmou que a decisão foi tomada após “análise cuidadosa” das estratégias energéticas do país. Questionado se houve consulta prévia à Arábia Saudita, maior produtor da organização, ele respondeu que não tratou do tema com nenhum outro governo.
Nos últimos anos, os Emirados têm adotado política externa mais independente, por vezes divergente de Riad, sobretudo desde que a Arábia Saudita intensificou esforços para atrair investimento estrangeiro após reformas conduzidas pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.
Os produtores do Golfo já enfrentam dificuldades para exportar pelo Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito global — devido a ataques e ameaças iranianas, intensificados durante o conflito na região.
Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil via valorinveste.globo.com
A decisão representa vitória para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vinha acusando a Opep de inflar preços e condicionava o apoio militar norte-americano no Golfo ao comportamento do cartel. Washington mantém relação estratégica próxima com Abu Dhabi, considerada um de seus principais aliados no Oriente Médio.
Na véspera do anúncio, Anwar Gargash, assessor diplomático da presidência dos Emirados, declarou em fórum regional que a resposta política e militar dos países do Conselho de Cooperação do Golfo aos ataques iranianos foi “a mais fraca da história”. Segundo ele, enquanto houve cooperação logística entre os vizinhos, o apoio político ficou aquém do esperado.
Com a saída confirmada, os Emirados Árabes prometem ajustar a oferta de petróleo de forma independente, observando condições de mercado a partir de 1º de maio.