Criação de vagas nos EUA desacelera em junho e reforça expectativa de mercado de trabalho mais frio

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafios5 horas atrás10 Visualizações

O mercado de trabalho norte-americano deu mais um passo rumo à moderação. Segundo o relatório ADP de empregos privados, divulgado nesta quarta-feira (3), foram criadas 98 mil vagas em junho, número inferior às 118 mil previstas por economistas e às 122 mil registradas em maio (dado não revisado).

Por que o ADP importa

O ADP National Employment Report acompanha, por meio das folhas de pagamento de cerca de 25 milhões de trabalhadores, a variação do emprego no setor privado dos Estados Unidos. Embora seja diferente da pesquisa oficial do governo (Payroll, divulgada pelo Bureau of Labor Statistics), o levantamento costuma oferecer um termômetro antecipado da saúde do mercado de trabalho e, por tabela, das futuras decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed).

Setores que mais contrataram em junho

  • Educação e saúde: +48 mil vagas
  • Comércio, transporte e utilidades: +15 mil
  • Atividades financeiras: +14 mil
  • Outros serviços: +8 mil
  • Informação: +7 mil
  • Manufatura: +5 mil
  • Lazer e hospitalidade: +2 mil
  • Serviços profissionais e de negócios: +2 mil
  • Construção: +2 mil
  • Recursos naturais e mineração: -5 mil

Salários ainda crescem, mas em ritmo menor

Os trabalhadores que permaneceram no mesmo emprego viram seus rendimentos aumentar 4,4% em relação a junho de 2023. Já quem trocou de vaga recebeu, em média, 6,6% a mais. Embora acima da inflação norte-americana acumulada em 12 meses, os dois percentuais mantêm a trajetória de desaceleração observada ao longo de 2024.

O que o dado sinaliza para os juros dos EUA

Para o Fed, um mercado de trabalho mais apertado costuma significar pressão extra sobre a inflação. A criação de vagas abaixo do consenso reforça a narrativa de que a economia está esfriando gradualmente, o que pode abrir espaço para cortes de juros ainda este ano. Vale lembrar que as últimas projeções do banco central dos EUA indicavam a possibilidade de até três reduções na taxa básica antes de dezembro, dependentes justamente do comportamento do emprego e dos preços.

Criação de vagas nos EUA desacelera em junho e reforça expectativa de mercado de trabalho mais frio - Imagem do artigo original

Imagem: Matthew Kazin FOXBusiness

Impacto para investidores brasileiros

Quem aplica em renda variável, renda fixa ou câmbio no Brasil deve ficar atento a quatro pontos:

  • Dólar: expectativas de juros menores nos EUA tendem a reduzir a atratividade dos títulos americanos, o que pode aliviar a pressão sobre moedas emergentes como o real.
  • Taxa Selic: um Fed menos agressivo diminui a necessidade de o Banco Central brasileiro manter a Selic elevada apenas para conter fuga de capitais, aumentando a probabilidade de retomada dos cortes.
  • Bolsa de Valores: juros globais menores costumam favorecer ações de crescimento, tanto lá fora quanto no Ibovespa, além de setores sensíveis ao custo de capital, como varejo e construção.
  • Renda fixa local: títulos atrelados ao CDI e ao Tesouro Direto podem apresentar valorização adicional se a curva de juros brasileira voltar a precificar quedas mais fortes.

Como sempre, o relatório ADP será confrontado nos próximos dias com o dado oficial do Payroll. Até lá, o mercado deve continuar recalibrando apostas para a política monetária dos EUA e, por consequência, para ativos de risco ao redor do mundo.

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